OPINIÃO

VAI ANDANDO QUE ESTOU CHEGANDO

OPINIÃO | CARLOS FIGUEIRA

Felizmente para o estado emocional de muitos, a vida do País na última semana não foi só marcada pelos acontecimentos em torno do Sporting e de toda aquela confusão que internamente o continua a envolver, mas antes e em primeiro plano, pelo Congresso do Partido Socialista e igualmente o debate sobre a despenalização da Eutanásia com debates dos vários projectos de Lei oriundos do centro esquerda e da esquerda parlamentar agendados para esta semana.

Do Congresso do PS para além de constituir uma super produção mediática, pouco longe de qualquer comício, tudo certinho, com as várias intervenções dos congressistas a manter a ordem de quem organiza e dispõe do poder para o exercer, sai dele uma unanimidade esperada, a demonstrar uma coesão interna, tida como arma fundamental para enfrentar os próximos ciclos eleitorais, correspondendo à expectativa, a tonalidade do discurso político, centrado mais à esquerda do que era habitual no PS.

Sendo verdade que António Costa nunca se referiu aos seus aliados à esquerda para valorizar o contributo que deram para a concretização de algumas das medidas no plano social, salários, reformas, reposição de direitos na administração pública, não previstas no acto de governação socialista, também se deve sublinhar que nas diversas intervenções sobre o futuro, ficou expresso que as alianças à esquerda vão continuar, facto muito mal recebido pela maioria do comentário político. Veremos se tal se vier a concretizar porque a, manterem-se, terão que incluir um prazo mais alargado em torno de matérias mais vastas.

Futuro que, quer nos agrade ou não, continua comprometido por uma dívida impagável e a ausência de meios próprios para definir autonomamente a sua política estratégica para um País a depender excessivamente de fundos comunitários que lhe retiram autonomia perante investimentos públicos necessários à modernização do País a contas com um clima empresarial assente nos baixos salários e condicionamento de direitos dos trabalhadores. A próxima batalha, está visto, vai travar-se em torno da concertação social, proclamada por Costa como arma para o futuro.

De sublinhar ainda uma presença marcante no Congresso de gente jovem, novos quadros, uma nova geração pronta a assumir responsabilidades, a contrastar com o que emerge no PSD onde predominam os mesmos de sempre com um discurso vazio, sem perspectiva nem alvos a quem se dirigir.

Por último quanto à Eutanásia, ou seja à sua despenalização, abrindo caminho para, em situações sem esperança de vida, ou respondendo à vontade própria do paciente, com cuidados a proteger qualquer acto abusivo na sua prática, não esquecendo que se trata de um processo complexo, discutido ao longo de mais de dois anos, o que a mim me surpreende é sem dúvida a posição do PCP. Posição por demais conservadora, afastando-o das mais jovens gerações. Porque contrariamente ao que afirma não está em causa a necessidade de aumentar a qualidade dos serviços de saúde e a sua contínua qualificação, trata-se de antes de um acto de antecipação da morte seja sempre justificado quer pela decisão do próprio, quer pelo humanismo de evitar sofrimentos desnecessários. Corre assim o PCP de votar ao lado do CDS, porque mesmo o PSD deu liberdade de voto ao seu grupo parlamentar, quer seguindo, fundindo-se com as posições mais radicais expressas pela igreja. Não é projecto que se apresente com futuro.

Carlos Figueira

carlosluisfigueira@sapo.p

Advertisements
Tamanho da Fonte
Contraste
%d bloggers like this: