OPINIÃO

VAI ANDANDO QUE ESTOU CHEGANDO

OPINIÃO | CARLOS FIGUEIRA

O regresso da selecção, mantendo-se todavia a atenção sobre o que se vai passando no Mundial de Futebol, livrou-nos, falo de mim, de largas horas de dias a parecer meses com reportagem em que a notícia estava ausente, algumas até não só inócuas, vazias, mas mesmo infantilizadas. Nos tempos que correm é igualmente de saudar a paz inquieta que se vive no Sporting a aguardar melhores dias, pelo menos até 8 de Setembro. Neste contexto fico a aguardar que o tempo que ficou vazio seja finalmente preenchido por notícias.

Onfelizmente as notícias que nos chegam sobre o mundo dos jornais não vão no melhor dos sentidos. O desaparecimento da edição em papel do Jornal de Notícias, substituído por versão on line durante cinco dias deste jornal centenário, enfraquece o panorama geral da imprensa no País, porque sem deixar de atender aos factores da inovação que pode justificar as decisões tomadas objectivamente afasta leitores, num país no qual os níveis de frequentadores de jornais é já bastante baixo.

No universo da vida política é de sublinhar o anúncio da formação de mais um partido por parte de Santana Lopes. Francamente não vislumbro campo político, eleitoral, para a existência de mais um partido de centro direita, porque é disso que se trata.

Na esquerda, assiste-se a uma radicalização no discurso do PCP, pela voz de Jerónimo, denunciando pelo menos duas coisas que para além de repetição de palavras, sugerem as pressões internas existentes para afastar o PCP do apoio a esta solução governativa ou a preparação de ambiente político para a abstenção na votação do próximo Orçamento. Em qualquer dos casos, a verificarem-se, em nada acrescentam à influência deste partido na sociedade portuguesa e abrem caminho a sectores da direita no interior do PS.

Em finais da semana passada tivemos a triste notícia da morte de José Manuel Tengarrinha. Professor Universitário, cidadão algarvio, natural de Portimão, notável anti-fascista à qual, nessa qualidade, dedicou muitos dos seus anos de vida no combate à ditadura, sempre numa postura que o marcou, pautada pela criação de plataformas agregadoras que engrossassem sociologicamente o combate à ditadura.

Foi nessa postura congregadora, e nesse sentido, porventura a mais influente personalidade à esquerda, que tanto sucesso produziu na formação de uma ampla frente antifascista que levou ao Congresso da Oposição Democrática em Aveiro de 1973, pronuncio do que viria a ser o derrube da ditadura meses depois.

Após o 25 de Abril não baixou braços, pelo contrário, como membro do MDP-CDE, no mesmo sentido trabalhou para a formação de grandes frentes unitárias. No fim da vida encontrou no Livre uma plataforma nova que incorporava ideias progressistas articuladas no propósito de gerar energias a favor da convergência entre socialistas, comunistas e bloquistas.

À sua família deixo aqui uma palavra de conforto.

NB: Defendo que o aeroporto de Faro se passe a chamar aeroporto do Algarve Manuel Teixeira Gomes

carlosluisfigueira@sapo.pt

Carlos Figueira

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