VAI ANDANDO QUE ESTOU CHEGANDO

O tempo que temos tido acompanha a incerteza política em que vivemos. Já vamos a meio do verão e a instabilidade tem marcado presença. Manhãs e finais de tarde frias para decepção de todos os que mais de uma vez escolheram o Algarve para curtos períodos de férias porque o orçamento assim o dita. Por este andar teremos um verão a ocupar o tempo do outono.

Já na vida política tal como no tempo temos agora também um interregno. O País vai para férias. Os políticos também necessitam de algum descanso mais que não seja para recomporem ideias e projectos úteis para o País. O Mundial de futebol já foi num interregno que vai tornar mais difícil as notícias e os comentários que sem expressão nem assunto continuam a invadir-nos a ponto do semanário Expresso cada vez mais se assemelhar ao Correio da Manhã.

Tudo porque o “Debate da Nação“ julgado por uma espécie de prestação de contas entre o Governo e a oposição dá ponto de partida para o encerramento da Assembleia da República até Setembro. Está então aberto um campo para a intriga política, o mal dizer sem fundamentos, o esticar da corda sem medir consequências.

Mas o debate também deu para entender que a direita sem ideias tem como objectivo ocupar o espaço que está reservado ao apoio deste governo por parte da esquerda. Neste sentido é interessante verificar o esforço que uma direita residual no seio do PS se está colocando como aliada do centro direita e nesse sentido há que sublinhar as declarações do Primeiro Ministro, em apoio da continuidade desta forma de apoio, o que constitui para todos, fora e dentro do País, como um facto que de singular, abre a possibilidade de, no respeito da identidade de cada um dos partidos à sua esquerda, tornar possível o entendimento em matérias de enorme importância em áreas socias, em respeito de reposição de injustiças e direitos dos trabalhadores.

Seria de todo impossível, credível, que um membro de qualquer dos partidos à sua esquerda participasse, como membro do governo, quando estivessem em discussão o posicionamento em matéria de política europeia ou de posicionamento face a alianças militares, como a NATO. Insistir no posicionamento, nesse quadro. como o que se deduz das declarações do vice primeiro-ministro constitui, no plano dos apoios e alianças, um encosto à direita do PS.

De outro lado percebe-se mal a radicalização do discurso quer do PCP quer do Bloco em matéria de reivindicações sem cálculo para o que representam em matéria de orçamento. Percebe-se a necessidade de afirmação da diferença, preocupa a hostilização a não ser que a esquerda queira entregar o poder à direita o que de todo se me afigura completa insensatez. Porque para além das matérias que construíram reposição de direitos existe toda uma área que envolve investimento publico, reorganização do território, descentralização de poderes, distribuição de apoios comunitários, em suma, futuro do País, que está em causa e para o qual a esquerda tem de ocupar um papel importante.

Mas claro também se percebe que a vida política do País entre em férias. Oxalá contribuam para refresco de ideias.

Carlos Figueira

carlosluisfigueira@sapo.pt

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