VAI ANDANDO QUE ESTOU CHEGANDO

A minha tertúlia preferida, já aqui o tenho sublinhado, é composta de vários sábios formados na universidade da vida. Discutimos muito as alterações do clima, dos ventos e do que a direcção deles poderia significar na composição do que nos oferecia o universo. Vento frio, desagradável, manhãs um tanto inóspitas, estávamos em fins de Junho e início de Julho, onde está o verão, interrogava-se a maioria deles. Pensando justamente na margem de negócio que tal poderia acontecer, na perspectiva da salvaguarda que desde há anos, representam como pecúlio a salvaguardar entre finais de Outono o que compensasse enfrentar o infernal Inverno que também por aqui acontece. Creio todavia que os sinais de eventualmente menor rendimento não pronunciam catástrofes a não ser que a oferta de tão pobre e desvalorizada seja justificação justa para o seu desvio para outros destinos.

Mas voltando à minha tertúlia das quartas-feiras, comandada sempre e bem pelo meu amigo Tó Zé, num momento de discussão acesa, não me recordo agora, bem porquê, eis que o empregado sujeito a críticas contínuas por todos a quem ele deveria oferecer em qualidade um serviço, resolve envolver-se na conversa, para nos relatar a sua vida. Já que o conhecia de outras andanças na sua profissão por outros estabelecimentos de restauração. Sempre com a mesma posturas, nem sempre agradável nem pouco menos eficiente. Mas ficamos a saber que começava a trabalhar às 6 da manhã e largava às 4 da tarde. Era filho de uma família de 8 irmão nas quais ele tinha aos nove anos começado a trabalhar como mineiro, não para encontrar ouro ou outras espécie valiosas, mas antes fontes de água para alimentar poços que permitissem no interior do território, alguma condição de vida e mais que isso de sobrevivência. Dizia ele, como católico ajudava à missa e té teve que inventar uma forma, como era muito baixo, em torno de uma cana da índia, para apagar as velas. Para ele quem mandava na terra era o padre não que estivesse de acordo mas era assim que no seu tempo as coisas aconteciam e eram geridas. A sua fácies, o ruinoso panorama que apresentava no seu sistema dentário, era a expressão, só por si, de uma vida exprimida em dificuldades. A partir daí fui bem mais benevolente para a incoerência e desprego do seu serviço.

Agosto é mesmo de referência para as férias dos portugueses. Mas é sempre também um mês associado à intriga política, fruto de jantares e merendas cujo fim em vista é posicionarem-se as diversas personagens para a melhor posição de acesso ao poder. A direita, já aqui o tenho referido, está no embaraço de se confrontar com uma divergência interna que a acontecer de dando espaço e consistência à formação de um novo partido encabeçado por Santana Lopes cujo significado só se percebe com uma rotura profunda no leitorado de centro-direita atingindo mesmo eleitorado do CDS pelo arrastamento do anúncio populista que se anuncia mas igualmente pela posição em que o partido de extrema-direita surge nas sondagens.

Por sua vez à esquerda o assunto do Bloco com o vereador da Câmara de Lisboa deixa uma marca de perda de “virgindade“ em termos de princípios a ameaçar em definitivo a sua credibilidade política. Situação que favorece a possibilidade do PS atingir a maioria absoluta.

A gestão desta situação à direita como à esquerda requer sensibilidade política e a noção da correlação de forças que estamos em presença, sendo que não pode ser indiferente para a esquerda que AC na última entrevista ao Expresso continue a manifestar o interesse político de alargar a “geringonça“ a outras áreas de governação.

Carlos Figueira

carlosluisfigueira@sapo.pt

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