VAI ANDANDO QUE ESTOU CHEGANDO

A semana, no plano político, foi tomada pelo caso Silvano, secretário geral do PSD que disse que estava onde não estava, ou seja, na Assembleia da República. O caso assumiu as dimensões políticas que tomou, a meu ver, por duas questões fundamentais, uma delas a tentativa de esclarecimento público e justificação do ato pela deputada eleita, creio que pelo círculo de Viana de Castelo, assumindo foros de uma embrulhada que em nada ajudou ao esclarecimento do ato diria mesmo que “foi pior a emenda que o soneto“. Depois porque se percebeu que as dimensões que tomou, têm mais a ver com as guerras internas do PSD, as quais, no nervosismo em que se encontram, levam Rui Rio a responder sobre o caso, a um jornalista português em alemão. Rui Rio que pretende ser primeiro-ministro de um governo em Portugal tem aqui uma demonstração clara que não serve para o cargo que aspira. Quando seria fácil demonstrar que é uma prática regular pelos deputados não estarem presentes no hemiciclo, porque estão em trabalho parlamentar junto do seu eleitorado ou em trabalho de comissões especializadas no seio da Assembleia.

O desnorte em que o centro direita se encontra é ainda evidenciado nesta guerra que envolve Passos e apoiantes de Rui Rio agravado perante a ameaça do novo partido de Santana Lopes o qual se dispõe a disputar a mesma área eleitoral do PSD, Santana que o único cargo que ganhou foi a Câmara da Figueira da Foz. Mas os tempos são os tempos.

De tudo resulta para a opinião pública um desprestigio das instituições democráticas alimentando num discurso fácil, populista, demagógico, perigoso para a democracia que a Constituição consagra, e sem a qual não desfrutaríamos hoje, não só da liberdade, mas dos direitos sociais que a mesma consagra.

Ocorreu neste fim de semana o que se pode considerar como o congresso (Convenção lhe chamam) do Bloco de Esquerda. Composto por uma significativa presença de jovens e mulheres mas, arriscando uma apreciação que pode ser injusta, sobretudo povoada por gente urbana. Para o caso pouca importância poderá ter, porque no plano político e é disso que importa tratar, sai da Convenção uma nova linha política, distante da de Louçã, que tinha no PS o inimigo a abater, para ao invés, um desafio à sua presença no poder, ou seja em futuro governo de maioria socialista. Isto porque analisando as proposta que foram expostas, as quais, existem na sua maioria, uma enorme margem de negociação com o PS, na expectativa de impedir uma maioria absoluta nas próximas eleições legislativas do próximo ano. Mas, como tudo na vida, tudo dependerá da força de cada um, embora a atração pela partilha do poder, mesmo em condições muito desiguais, constitua uma enorme atração.

Creio que a maioria dos seres humanos, sejam de partido que forem ou de praticantes de diversas religiões (pode ser a parte utópica que sempre me moveu) não pode ficar indiferente à marcha que de forma espontânea, a partir das Honduras, à qual se têm incorporado outros humanos de diferentes países da América Central, num motivo que tem como principal objetivo fugir à pobreza absoluta, procurando no acesso aos Estados Unidos uma oportunidade de trabalho, País feito e povoado de emigrantes. Marcha que contem milhares de quilómetros, na sua maioria a pé, com mulheres a terem filhos, em tal circunstância, sem nenhuma assistência médica, com gente que morre sem qualquer tipo assistência. Tal acontecimento, consagra pela sua dimensão, um ato raro ao qual não se pode ficar indiferente e sobre o qual se torna mais revoltante as posições que o Presidente dos EUA tem vindo a assumir. Expectantes estamos, todos em todo o ato de solidariedade que tal comporta, pelo momento final.

Carlos Figueira

Advertisements

pub

 

Advertisements
WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
Tamanho da Fonte
Contraste