VAI ANDANDO QUE ESTOU CHEGANDO

CARLOS FIGUEIRA

A semana vai decorrer no plano político em torno das questões orçamentais, já que vão iniciar-se as votações parcelares em torno de propostas de emendas que cada força política entendeu fazer. Processo complexo no qual, como tem sido anunciado, à direita, regista-se uma deriva, quer pelo PSD, quer pelo CDS, com a apresentação de propostas que tornariam o orçamento ingovernável.

Por parte da esquerda, pelo que nos é dado observar, existirá no PCP alguma contenção face à situação financeira que o País continua a atravessar, o que não os impediu de apresentar propostas dirigidas para a área social, educação, reformas, salários, de entre outras, embora pelo que até agora é conhecido (estou a escrever na segunda-feira) seja inquietante a posição deste partido em apoio a uma proposta do PSD sobre a contagem do tempo dos professores, facto que a meu ver não está em causa, porque o que verdadeiramente importa neste momento, sobre esta matéria, são as formas de pagamento ou a contagem do tempo para reformas.

Por parte do Bloco observam-se posições no mesmo sentido, ou seja reforço de verbas para algumas áreas económicas e sociais, com declarações de Catarina Martins a anunciar que votarão favoravelmente propostas oriundas do PSD, acompanhadas, contraditoriamente, de disponibilidades para integrar um governo de maioria socialista. Quanto a tais propósitos quer Costa quer César já anunciaram posições que tornaram não só claras àquilo que se propõem, ou seja, recusar uma qualquer participação do Bloco em futuro Governo, quer por parte do líder parlamentar do PS ao afirmar nas jornadas parlamentares, que o PS não se dispõe a governar com base num Orçamento completamente descaraterizado. Ou seja, a saída, só pode ser eleições antecipadas. Aqui chegados que predomine o bom senso.

A visita do Presidente de Angola a Portugal representa no plano das relações políticas, económicas, afetivas, um passo de grande importância face aos interesses dos dois países. Significativo porque ocorre num momento em que este importante país africano, passa por anunciadas medidas quanto à consolidação da democracia, ao combate à corrupção, à tentativa de repatriação de capitais provenientes de ações marcadas por favorecimentos ligados ao aparelho de Estado. O desafio é enorme, oxalá o consigam levar a cabo.

A semana passada foi igualmente marcada pelos acontecimentos de Borba, no desastre que constituiu o desmoronamento de uma estrada que desde há muito estava declarada como perigosa, situação anunciada ao longo de anos e sistematicamente ignorada, quando por demais estava construído um acesso alternativo inteiramente seguro. Há já hoje quem defenda responsabilidades repartidas entre autarquia e governo, quando se sabe que desde há alguns anos a manutenção ou extinção de tal acesso era da respetiva autarquia. Aqui chegados o que agora verdadeiramente importa, a começar pelo presidente da Câmara, é que definidamente se encerre o local e se preparem meios para pagar indemnizações justas a famílias e empresas afetadas e mais que tudo que tal exemplo de catástrofe sirva de exemplo para que tal não aconteça em qualquer outra área do País.

Carlos Figueira

carlosluisfigueira@sapo.pt

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