VAI ANDANDO QUE ESTOU CHEGANDO

CARLOS FIGUEIRA

O OE para o próximo ano acabou e bem por ser aprovado com votos convergentes do PCP, Bloco, Verdes e PAN, apesar de toda uma panóplia de intriga e desinformação, tendente a criar no interior do PS e na opinião pública, dúvidas e reticências para a sua aprovação pelo PS, em conjunto com as forças de esquerda.

Mas, como singularmente , assinala o texto saído da última reunião da Renovação Comunista “a provação do OE com o voto convergente do centro-esquerda e da esquerda termina um ciclo de inédita e bem-sucedida colaboração política”. E, mais adiante, quando refere “que o sucesso da atual maioria resultou no enfraquecimento da direita e da sua fragmentação“.

Abre-se agora um novo ciclo político atendendo a que o País está confrontado com duas importantes eleições, a saber, em Maio para a EU e em Outubro para a Assembleia da República. É pois natural que cada força política procure a partir de agora promover ações, respostas programáticas, para o futuro não só da EU mas do próprio País, o que não invalida um processo de diálogo entre todas as forças políticas que estiveram cooperando entre si para atingir os objetivos que são conhecidos, designadamente, no reforço das políticas sociais na diminuição histórica dos números de desemprego e mesmo no combate à pobreza.

Perante a crise que atravessa o centro direita, cujo exemplo maior é representado não só pelas divisões internas em que se move, mas sobretudo pelo surgimento de um novo partido que visa disputar o seu campo de apoio eleitoral, ou ainda pressentindo que uma parte de gente, que pode ser significativa, face à atual situação de desagregação em que se encontra o centro direita, tenderá a passar-se para uma votação no PS, engrossando a representatividade eleitoral deste, tal facto, embora possa ocorrer, não garante de per si uma maioria absoluta do PS que o dispense da colaboração da esquerda, e lhe permita adotar, politicamente, uma posição de zingue-zague, ora com uns ora com outros, na aprovação de reformas necessárias ao País que conduzam ao aprofundamento da democracia, e direitos sociais, reformas das quais destaco a Regionalização.

A derrota surpreendente do PSOE na Andaluzia, ao cabo de mais de 30 anos de maioria na chefia do governo andaluz, provocada pela subida de um partido o VOX de extrema direita, que tem no populismo e na xenofobia armas políticas que lhe deram a expressão eleitoral que obtiveram, facto que se soma a um crescimento de movimentos e partidos fascinante na Europa e fora dela, cujo exemplo próximo nos é dado pelo Brasil, que tem na Europa de hoje um movimento em França que sem definição política, a extrema direita procura aproveitar, corresponde a um tempo político que não pode ser subestimado por todas as forças de esquerda e do centro esquerda, como o já foi no passado, raiz da segunda guerra mundial.

Termino esta crónica com uma boa notícia para o País. Refiro-me à atribuição a Portugal do título de melhor destino turístico mundial. A afirmação particularmente de Lisboa e Porto como destinos urbanos de eleição, a que se somam as nossas condições climatéricas, a segurança e o crescimento da qualidade da oferta, na qual incluo a gastronomia e a descoberta cultural, apelativa do interior, de facto fazem do País um destino turístico de eleição.

Carlos Figueira

carlosluisfigueira@sapo.pt

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