VAI ANDANDO QUE ESTOU CHEGANDO

Comemoram-se hoje (estou a escreve a 10 de Dezembro) os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, documento saído dos honrosos dias e meses, após a derrota do nazi fascismo, que deu origem à segunda guerra mundial. Recorrendo-me de declarações de Jorge Miranda (publicada no Público de hoje 10 de 12) e também do ex-Presidente da República Jorge Sampaio, quando referem, o primeiro que considera a Declararão “um esforço seguro para refazer o mundo com base em direitos universais“ advertindo Sampaio que “nada está garantido… assistindo-se hoje a uma perigosa tendência para desvalorizar o sistema” e diria, quanto aos compromisso então subscritos, porque na verdade os atropelos que se registam no respeito pelos direitos humanos, estão presentes, com maior ou menor violência, em todos os continentes e como refere e bem a propósito deste compromisso, Vital Moreira, para que a memória não se apague de todo, tal declaração só foi subscrita por Portugal, após a revolução do 25 de Abril e como tal inscrita na Constituição de 1976.

A marcação pelo Presidente da República das eleições para a Assembleia da República para 6 de Outubro do próximo ano, a par da aprovação do OE pelas forças à esquerda, que sustentarem o atual governo, abre um novo ciclo político. Era espectável que assim fosse.

O centro direita continua num processo de auto flagelação interna da qual não se prevê, a curto prazo, saída credível, por demais ameaçada com o lançamento do Livre, pescando nas mesmas águas e apoios eleitorais, mas antevendo um discurso populista, que mesmo considerando que o seu líder, Santana Lopes, nunca ganhou significativamente alguma coisa de relevo, para além da presidência da Figueira da Foz.

Por parte da esquerda preocupa-me o radicalismo como exprime a sua discordância com medidas do atual Governo. Percebo que se têm de distanciar para garantir a diferença política que os separa, mas entre outros momentos, a meu ver, se tem de traduzir numa posição pública que a propósito, os distancie de Marta Soares, presidente da Associação dos Bombeiros Profissionais, que se ocupou durante parte do ano, a presidir aos rocambolesco problemas do Sporting, venha agora fazer um ultimato ao Governo, pleno de ameaças e chantagens. Independentemente de eventuais razões que lhe podem assistir, trata-se de uma postura que não se conforma com o cargo que desde há anos exerce.

Aliás assistimos, e não ouso fazer comparações, com uma atitude radical, centrada no anúncio de greves, em não quantos setores associados ao setor público, como se tal fosse o caminho para resolver problemas laborais que provavelmente se arrastam de há anos, responsabilidade de anteriores governos, fomentando na opinião pública, um sentimento de insatisfação, e atrevo-me a dizer de profunda crítica, perante problemas que sendo reais se tornaram incompreensíveis pela grande massa dos que dele fazem vida.

Estamos em final do ano e creio que a partir de agora nada de significativo acontecerá. E portanto resta-me endereçar daqui um voto de Feliz Natal para todos os eleitores e igualmente os desejos de um próximo ano no qual a política e a governação seja sustentada por forças políticas, compromissos, seja de que forma forem, se centre na conjugação de medidas e atos entre o centro esquerda e a esquerda.

Carlos Figueira

carlosluisfigueira@sapo.pt

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