Vai Andando Que Estou Chegando

Carlos Figueira

Torna-se incontornável não principiar esta crónica semanal sobre o que o País vai vivendo, sem referir, em primeiro lugar, esta embrulhada em que se encontra o PSD. De facto, o segundo maior partido, na atualidade do País político. Em primeiro lugar porque em nada acrescenta à credibilidade que a vida política do País oferece ao cidadão comum que naturalmente vê nas guerrilhas em que estão internamente envolvidos não mais que disputas internas de poder. Mas, de alguma forma , esse raciocínio que se pode afigurar aparentemente simplista, tem a sua razão de ser. Porque de facto de uma outra forma reflete a dificuldade da direita estar demasiadamente tempo afastada do poder e das possibilidades de influências e negócios diretos ou paralelos que tal posição possibilita, mais que não seja, de notoriedade pública ou de porta entreaberta para posições empresariais que de outra forma seriam mais difíceis de obter. Daí que se perceba mais facilmente que o que está em jogo fundamentalmente, mais que um posicionalmente geracional, que também existe, os lugares a obter em listas para as Europeias e fundamentalmente para as próximas legislativas de Outubro.

O que neste contexto não se percebe bem é o envolvimento do Presidente da República, desde a primeira hora, nesta contenda. Mesmo que seja desde há muito nos habituamos, a bem e a mal, um presidente que tem como estilo meter-se em tudo. Porque já percebendo que temos um presidente que está em todo o lado, desde felicitações a estrelas televisivas em programas de populismo rasca, vir a ter em momento político intenso, ter posição sobre a vida interna do PSD. Mesmo reconhecendo a circunstância de ter sido membro fundador deste partido, creio que se compagina mal com as responsabilidades com o cargo que agora ocupa, a sua clara interferência na disputa interna em que tal partido se encontra e, nesse sentido considero, que uma boa parte dos portugueses começa a compreender tal facto e politicamente tal atitude.

A saída da grande Bretanha da União Europeia com todas as consequências que podem significar para o conjunto dos países membros e particularmente para Portugal, começa naturalmente, a assumir contornos de maior preocupação na medida que a execução da medida se aproxima da sua fase final.

Nesse sentido creio que são de reconhecer as posições e medidas que o governo português tem anunciado não só para proteger os cidadãos ingleses residentes desde há muito no País e em particular no Algarve, como do mesmo modo e no mesmo sentido, as dos portugueses que trabalham no Reino Unido, num caminho que também se saúda, em facilitar a viagem de quem prefere particularmente o Algarve para as suas férias porque, como é sabido, o mercado inglês, continua a ser o predominante para esta região. Voltaremos ao assunto em próximos textos.

Creio que está marcada para esta semana a discussão na AR de uma nova lei de Bases para o SNS. Espero que da parte da bancada do PS e do conjunto da esquerda que mantém o Governo em funções, se encontrem as melhores soluções para aprovar uma Lei fundamental de proteção na saúde à maioria dos portugueses.

As últimas sondagens dão uma confortável maioria ao PS sem contudo obter maioria absoluta. Em paralelo com uma esquerda, PCP e Bloco, que não descolam dos 7 ou 8%. Neste contexto convém talvez recordar que em legislativas, após a saída por discordâncias estratégicas quer quanto ao posicionamento político, como à organização interna, discordâncias que entre muitas outras, conduziram à minha expulsão, a de Edgar Correia e à suspensão de Carlos Brito, em legislativas, o PCP, nunca mais ultrapassou os 8%.

O rio, esta foz deslumbrante, está um plasma, como nada se movesse na sua estrutura interna. É verdade que está frio e faz falta alguma água. Mas a planura que nos oferece e conforta, também nos compensa, das agruras da vida.

Carlos Figueira

carlosluisfigueira@sapo.pt

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