VAI ANDANDO QUE ESTOU CHEGANDO

Carlos Figueira

De súbito, os dias de antecipada Primavera que estávamos aqui, ao Sul do Sul, a disfrutar, numa antecipação de tempos, o que nos permitia o conforto de passeios ao longo de um litoral extenso, ou o prazer de uma esplanada cheia de sol, foi interrompido por uma chuvada imensa que nos deixou, não só perplexos, como de uma incomodidade imensa. Água a não mais ver, o que significa despertarmos para as alterações climáticas que continuamente nos são reveladas, mas perante tais avisos, em geral, nos comportamos com uma dose enorme de indiferença. Sendo que os meus amigos agricultores, já o referiam, que nos fazia falta alguma água para a produção agrícola e a garantia do abastecimento público. Oxalá que as condições se conjuguem, mais uma vez, nos tempos de mudanças que ocorrem.

Porque estamos em muitas matérias, bem menos complexas cientificamente, mas bem mais próximas do que aspiramos como sociedade justa socialmente, em terrenos em que o futuro se desenha de um lado ou de outro, nesse sentido, creio que independentemente de outras opções, noutras áreas de governação, a questão que envolve a disputa em torno da permanência, reforço financeiro, estrutural, do serviço do Serviço Nacional de Saúde, uma das maiores conquistas do 25 de Abril, constitui neste momento uma questão central.

A meu ver estamos em presença, na disputa de um cartel sem o declarar, porque ademais é inconstitucional, de um conjunto de empresas privadas que à custa do Orçamento do Estado, ou seja, do dinheiro de todos os contribuintes, e das deficiências ou insuficiências que apresenta o serviço público, continuem a beneficiar dessas circunstâncias, em proveito de um negócio gigantesco. Ceder às exigências do não declarado cartel, mas efectivamente real, em prejuízo da desorçamentação das estruturas que integram o SNS, seria um retrocesso civilizacional incomportável e incompreensível, no Portugal moderno criado com o 25 de Abril.

Assistimos neste fim de semana pelas iniciativas mediáticas do PS e do PSD no relançamento não só das eleições próximas para a EU, mas igualmente para o que podem ser as eleições legislativas de Outubro o que nos reserva na actividade política dos dois maiores partidos. Sublinho neste quadro a renovação de quadros que o PS apresenta. Trata-se uma nova geração que pela mão de António Costa ascende a grandes responsabilidades de poder, não só quanto à União Europeia mas já a modelar o futuro governo se para tal obtiver os votos necessários.

Diferente está a direita ainda à procura de rumo e de protagonistas. Mas, tanto quanto isso, sem novidades nem de discursos que variem entre o populismo do CDS e as contradições internas em que o PSD se debate sem resultados previsíveis a curto prazo não se me afigura fácil a vida política do centro direita.

Por último, não posso deixar de violentamente criticar o posicionamento de um jornalismo que a cada vez se exprime de uma forma que diria de esterco. Refiro-me ao artigo de opinião de José Manuel Tavares, no Público de 16 de Fevereiro, quando se refere ao Bloco de Esquerda intitulando-o como “Berloque de Esquerda“ pelos vistos, segundo ele, nomeado pelo Presidente da República como comissário das comemorações do 10 de Junho, por inspiração do seu filho que não sei quem é, nem o que faz, para criticar a posição política que o Bloco tem assumido na vida política. Não está em causa a diferença de opinião. O que está em causa é a forma como essa divergência se exprime e nesse sentido na minha opinião trata-se de um esterco.

Carlos Figueira
carlosluisfigueira@sapo.pt

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