Vai Andando Que Estou Chegando

Voltando de novo às eleições Europeias e às repercussões que internamente tiveram em cada força política é notório que toda a direita sai destas eleições perante os resultados obtidos em frangalhos. Se tivermos em conta que para o CDS//PP um bom resultado era ficar à frente da CDU e do Bloco, eleger dois deputados, ficar atrás daquelas força políticas e eleger o mesmo deputado que já tinha confesso que não lhes dá para cantar de galo, como da mesma maneira em relação ao PSD, cujo cabeça de lista de lista repete o cargo à dezenas de anos e se assume como o “deputado papa“ dos eleitos ao PE, cujo partido perde centenas de milhares de votos para o PS. Não vale a pena mascarar esta situação como se ela não tivesse acontecido. A direita sai desta situação com uma derrota profunda da qual ainda não se refez.

O Bloco passa a terceira força política ultrapassando em muitas zonas de influência do PCP e da CDU, revelando as fragilidades do PCP no tratamento das questões Europeias mas, tanto quanto isso, a incompreensível e reiterada crítica ao PS seu parceiro de muitas das reformas aprovadas nestes últimos anos de governação, fruto de uma pressão interna, sectária, que de anos, sempre se após a uma aproximação ao PS por considerar que servia os interesses desse partido e não o progresso do País.

As legislativas aproximam-se e o tempo é curto com um mês de férias que mobilizará grande parte dos portugueses. Vejo como pouco provável que a direita saia da crise em que se afundou. As últimas declarações do Presidente da República a tal propósito deixaram esta ala da política não só mais irritada como mais inquieta. A disputa dos lugares, mesmo que menores de deputados à Assembleia, abrirá guerras aqui e acolá. Poder é poder, mesmo que sirva para pouco. Mas dá para abrir o negócio!

Os Bloco que se cuide porque eleições legislativas têm diferenças acentuadas com europeias que vivem muito de uma candidata simpática apoiada pela comunicação, e um pau de bandeira a fingir de sede onde não existe qualquer militância, ao invés de um PCP que tendo o mesmo pau de bandeira e a mesma sede o que lhe falta é mudar o chavão do seu discurso para o tornar mais atractivo a um eleitorado mais jovem e militante. Talvez esteja aí a chave da inversão ou pelo menos de alguma recuperação. PCP que tem o seu Congresso agendado para Outubro do qual sairá tudo o indica um nosso Secretário Geral.

No domingo realizaram-se em Castro Marim eleições antecipadas para a Câmara Municipal tendo ganho com elevada percentagem o actual presidente, Francisco Amaral, membro do PSD à candidata do PS. Finalmente clarificaram-se as águas, ou seja, o clima político. Daqui por diante deixará de haver desculpas substantivas sobre se esta ou aquela obra se executa e porque motivos não se conclui.

Uma última nota sobre uma interessantíssima entrevista José Rodrigues Zapatero, antigo Primeiro Ministro de Espanha deu ao Expresso esta semana e na qual aborda temas como as autonomias e em particular a Catalunha conflito no qual prevê uma solução com base num solução assente num diálogo democrático afirmando “que sem Catalunha do que construí-mos na nossa vida“ …. “Para Espanha é um luxo ter línguas como o catalão, o basco,o galego”.

Carlos Figueira

carlosluisfigueira@sapo.pt

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