Vai Andando Que Estou Chegando

Estamos no mesmo momento em que nos encontramos na semana passada, quanto à solução da aprovação de uma nova Lei para o SNS que, em princípio, será votada na AR na terça feira, dia posterior ao texto que estou escrevendo.

Durante a semana muito se tem dito, num sentido ou noutro, em torno de resolver o que tem conduzido ao impasse, sobretudo entre o PS e o resto da esquerda, ou seja a questão das Parcerias Públicas Privadas, as chamadas, para abreviar PPP, na gestão pública da saúde à custa dos impostos pagos pelos portugueses, com resultados que, pelos vistos, em muito beneficiaram os negócios dos privados e em pouco contribuíram para beneficiar os serviços públicos.

Eram conhecidas hesitações sobre soluções a adoptar no seio do PS. Já tinha chamado a atenção sobre esta questão, não pouco importante, no texto da semana passada, na consideração que havia de ter em conta que estávamos em presença de um Partido que não era homogéneo e haveria de ter presente a presença de forças internas que exerceria sempre pressões para soluções que salvaguardassem posições mais equilibradas.

Tendo tal posição presente, creio que seria um desastre político que não se encontrasse uma solução equilibrada que permitisse salvaguardar os avanços, e já são muitos, em relação à lei de Cavaco Silva, deixando para a próxima legislatura o que falta arrumar para clarificar o papel das PPP no quadro do SNS que deve ser fundamentalmente público.

De resto, a vida política passa por momentos que ainda reflectem por um lado os resultados das eleições europeias, sobretudo no que respeita à direita. Rui Rio desapareceu da vida política. Não participa nos debates preparatórios para preparar o programa para as legislativas e mantém-se em silêncio absoluto face ao escândalo que envolve o ex-presidente da CM da Guarda e agora deputado ao PE, mais uns quantos presidentes envolvidos em negócios pouco claros com empresas de transportes e organizações de festas carnavalescas.

No CDS para além dos esforços da sua líder, estão-lhe colados resultados de que dificilmente se libertará, através de propostas populistas sem credibilidade, o que conduzirá ao crescimento de uma oposição interna nos próximos meses e o tempo é cada vez mais curto.

Para além deste episódio pouco edificante do maior partido de oposição parece existir um movimento de recomposição dos partidos quer de oposição quer mesmo do PS, com vista à disputa das eleições de Outubro, o que dá para perceber que nada ficará como dantes, mesmo quanto ao PS.

No PCP a última intervenção de Jerónimo remete para um Partido mais radicalizado e fechado sobre si mesmo, numa repetição de chavões em que só um núcleo muito fechado acredita, metendo num mesmo saco a direita e até a extrema direita com o PS. A ser assim, está pronunciado o desastre eleitoral, mas não só o desastre eleitoral, mas o que significa de perda de influência na sociedade. Cava-se o declínio, que tem um problema sério para resolver com um congresso, no qual vai ter de decidir eleger uma nova direcção e particularmente um novo Secretário Geral.

No Bloco antecipam-se declarações, a meu ver precipitadas, sobre a sobrevivência da “gerigonça“. Seguramente que nada será igual. Mas a ambição de poder não pode pôr em causa soluções de esquerda, seja de que forma possam assumir.

Uma última palavra para a morte de Ruben de Carvalho de quem fui ao longo de muitos anos amigo, camarada, mesmo nas divergências que nos separaram, sendo ele um homem aberto de ideias, mas daí ficou sempre a amizade e o respeito mútuo, por um homem cultural e humanamente de enormíssimo valor, a quem aqui presto a minha homenagem.

Carlos Figueira

carlosluisfigueira@sapo.pt

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