VAI ANDANDO QUE ESTOU CHEGANDO

Já não é a primeira vez que acontece estar a escrever numa segunda feira, por imperativos da edição do jornal, cuja edição chega aos leitores na próxima quinta, quando os acontecimentos que marcam a semana sofreram já eventualmente alterações de vulto. Estou como todos compreenderão a referir-me à greve dos motoristas de resíduos perigosos, greve decretada por tempo indeterminado, cujo início teve a partir das zero horas desta segunda-feira.

Até agora o que se pode constatar é que os seus efeitos estão longe dos provocados com greve idêntica em Abril, em período com os portugueses apanhados de surpresa a correr e a formar filas enormes para abastecer, com o pânico a atingir aeroportos, hospitais e outras estruturas. A meu ver houve agora por parte do governo maior prevenção a vários níveis com resultados visíveis, mesmo tratando-se como se trata de uma greve entre um número de trabalhadores que não abrange todo o universo dos camionistas e uma central patronal que representa todos.

Sindicato que representa uma parte, recentemente constituído cujo vice-presidente nunca conduziu um camião e pelo que vamos sabendo pela imprensa conta com um passado em França pouco abonatório, como advogado, em defesa de interesses de empresas de portugueses.
Uma vez decretada a greve, esta como qualquer outra, está sujeita à obrigação da prestação de serviços mínimos. É da Lei! Numa atitude que só pode ser considerada como provocatória perante o governo, o vice presidente do Sindicato, deu ordem para que não se cumprisse o que a Lei da greve consagra, o que para além demais significa um afrontamento ao governo, facto que nas posições deste sindicato se tem vindo a verificar.

Ora creio que o Governo se algo se lhe pode assinalar, só pode ser o facto de ter vindo a assumir uma atitude de serenidade, procurando serenar o conflito entre partes e sobretudo procurar estabelecer uma plataforma de entendimento. Sabe-se que da parte do patronato o que procuram é partir de uma base salarial mínima compensada depois com expedientes vários que a elevam na parte final, mas que em final de vida não vão contar para a reforma o que se afigura de uma enorme injustiça em relação à qual não pode haver indiferença. Também me ocorre que dadas as posições de algum radicalismo em que as partes se encontram, a maioria dos portugueses não acompanha nem um nem outros e o governo pelas posições em que se tem mantido sairá desta conflito politicamente beneficiado.

Comentários vários expostos na imprensa dão nota que no Chile no quadro de uma situação social muito degradada, uma extensa greve dos motoristas de matérias perigosas, pagas com dinheiro americano, terá contribuído para acelerar a intervenção golpista de Pinochet contra o governo de Allende. Creio exagerada a comparação. Não estamos em situação semelhante.

Mas embora em contextos completamente diferentes não deixo de assinalar a reunião fascista deste sábado passado promovida por criminoso, alguns recentemente saídos da prisão, que reuniu algumas dezenas num hotel de Lisboa, reunião clandestina, porque a Constituição proíbe a realização de reuniões fascistas, o que motivou uma manifestação de centenas de antifascistas contra tal realização. É necessário estar atento!

Carlos Figueira

carlosluisfigueira@sapo.pt

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