VAI ANDANDO QUE ESTOU CHEGANDO

Afinal o Partido de Marinho Pinto, o Partido Democrático e Republicano (espero não me ter enganado no nome) que a esmagadora maioria dos portugueses desde há muito não tinha ouvido falar, mas que lhe tinha servido de instrumento para ser eleito como deputado ao PE durante cinco anos, numa atividade cujo conhecimento também se pautou pelo escasso conhecimento da maioria, perante a surpresa geral, teve como ajuda para a formação das listas à Assembleia da República, nas próximas eleições legislativas de Outubro, como cabeça de lista por Lisboa, o vice-presidente e porta voz do Sindicato dos motoristas de matérias perigosas que concorreu, nos últimos tempos em matéria de apresentação de tempo televisivo, com o Presidente Marcelo. Maior presente não podia contar nas contas de Marinho Pinto que com toda a generosidade lhe dispensou o lugar para ele Marinho, se candidatar como cabeça de lista pelo Porto. Pelos vistos estará aberta a possibilidade de outros membros do Sindicato de matérias perigosas integrarem listas noutras regiões e se tal se confirmar, teremos o caso de facto curioso de um sindicato formado em meia dúzia de meses se poder transformar num partido político. Resta saber, até pelas declarações políticas que vão sendo avançadas, se os resultados finais favorecerão os resultados finais da justa luta dos trabalhadores em que se encontram envolvidos, ou se foram mais uma vez instrumentalizados por interesses que lhe foram e são alheios.

Sim porque embora suspensa a greve às horas extraordinárias em todo o período de campanha eleitoral, resta saber se o período das 40 horas se revela suficiente para o cumprimento dos serviços que têm de ser assegurados e estamos a referir-nos aos emergentes e se assim não for qual vai ser a posição do governo, porque já se percebeu, desde há muito, que há duas partes que não querem chegar a qualquer acordo.

As declarações de AC sobre os equilíbrios a manter na sociedade portuguesa e as virtudes que daí poderão vir, sem pôr em causa as diferenças de opinião de cada força política, mas apostando sempre num diálogo à esquerda, seriam factores benéficos, para não só ganhar na governabilidade estabilidade, mas avanços para outros patamares. Nesse sentido, eu próprio nas páginas deste jornal, já desde algum tempo, defendia que o enfraquecimento do PCP dificultaria no futuro a repetição da “geringonça “ como eventualmente sobre outras formas de entendimentos, acordos com base no PCP, Bloco, PEV e PAN, podendo conduzir o PS a governar sozinho, com base em acordos pontuais o que enfraqueceria uma política virada à esquerda.

A esta situação não se responde com arrogância por parte do PCP com ataques violentos ao PS comparando-o sistematicamente ao PSD e até ao CDS. O Bloco procura tirar partido desse extremismo para ganhar votos e preparar-se para exigir do PS não só acordos mas lugares de poder, numa situação semelhante ao que o Podemos tem vindo a fazer em Espanha e à qual AC alerta como sendo nociva para a situação que vivemos.

Numa situação em que a direita não se apresenta como alternativa, podemos estar num momento ímpar para reforçar um governo com políticas viradas à esquerda numa Europa na qual seríamos um exemplo singular mas igualmente fonte de todos os ataques e como tal só com liderança forte e entendimentos sólidos conseguiremos consolidar tal governo.

Carlos Figueira

carlosluisfigueira@sapo.pt

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