VAI ANDANDO QUE ESTOU CHEGANDO

Dois acontecimentos no plano internacional marcaram e seguramente continuarão a marcar, a atenção de boa parte dos cidadãos que seguem com interesse o que se vai passando no Mundo. Refiro-me à libertação de Lula e às eleições em Espanha.

A libertação de Lula após prisão sem culpa formada, ao longo de cerca de 600 dias, decretada por um golpe de forças políticas que tem em Bolsonaro o protagonista representante do que há de mais antidemocrático e golpista na sociedade brasileira, colocando toda a economia e recursos nas mãos dos seus interesses particulares, no mais completo desrespeito pelas instituições do regime, tem feito deste enorme País um Estado sem Lei.

Nesse sentido a libertação é, só por si, uma importante vitória, um acontecimento histórico, embora nem tudo esteja ganho. As forças que enfrenta são não só poderosas, como ausentes de escrúpulos. Embora se tenha conquistado um ganho importantíssimo, passou a existir oposição. Não será pouco importante que a primeira iniciativa anunciada pelo ex-presidente será a de percorrer todo o País, prestando contas e esclarecendo os brasileiros sobre a situação em que se encontra o País, numa caminhada que o pode de novo levar a candidatar-se às próximas eleições presidenciais , ou a criar condições para que outro candidato do PT possa sair dessas eleições vitorioso. Do que não parece haver dúvidas é que o Brasil, pelos melhores motivos, volta de novo a ser notiícia.

As eleições em Espanha reflectem nos resultados obtidos por cada força política, um novo e perigoso impasse. Por razões de trabalho a que prolonguei, a custas minhas, tive alguns dias em Madrid com curiosidade marcada nas eleições. Curiosamente o que dominava a atenção dos cidadãos era a questão de Barcelona. Em Madrid não havia campanha que se visse e o mesmo se passava em Sevilha e Córdova cidades, por onde também fugazmente passei e nas quais o ambiente que se respirava era idêntico. Toda a atenção estava centrada no que se iria passar em Barcelona.

Os resultados indicam um recuo do PSOE e da esquerda do Podemos e uma ascensão da extrema direita do VOX e mesmo do PP, forças que nos discursos finais se dão como vencedoras. Felizmente que a direita somada não chega para contar para maioria absoluta, apesar das diferenças que também entre eles existem, mas a existir tal soma, apesar das diferenças seria, a meu ver, um desastre para a democracia espanhola.

A situação que se desenha é perigosa. É a de cair de novo num impasse que pode desembocar a curto prazo em novas eleições. É nesse quadro de descrédito que a direita e sobretudo a extrema-direita do VOX jogam para chegar ao poder, é essa a situação que a breve curso se pode desenhar, nenhum deles está interessado em pactos com o PSOE.

Por cá nada de novo se passa a não ser à esquerda a preparação de propostas para o futuro OE e nesse sentido seria importante que deste sector fossem apresentadas soluções que tendo presente a economia do País, fossem no sentido de novos avanços na melhoria das condições de vida e no progresso do País, nesse sentido não me canso de o sublinhar, à direita permanece a incerteza dos resultados internos em que se encontram envolvidos quer PSD, quer o PP, ainda por demais este, a contas com um elevado montante de dívidas para pagar.

Carlos Figueira

carlosluisfigueira@sapo.pt

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