VAI ANDANDO QUE ESTOU CHEGANDO

A manifestação das forças de segurança PSP e GNR com concentração frente à Assembleia da República tem, na sua génese a justiça quanto a salários, equipamentos e degradação de instalações, problemas que se arrastam e justificam a natureza do protesto. Já não é de todo admissível a infiltração e manipulação de forças do chamado movimento zero, gente de que não se lhe conhece a cara, mas se conhecem os símbolos fascistas que ostentam, e os comportamentos inadmissíveis de se manifestarem de costas voltadas contra a Assembleia da República, numa afronta ao símbolo da nossa democracia, com os sindicatos a deixarem-se, sem reacção aparenta, envolver em tais manobras que, de todo, não favorecem os justos protestos que estão na origem da sua justa luta. Para mais, deixando que o deputado do Chega, demagogicamente e em desprestígio do cargo que ocupa, terem permitido que o mesmo discursasse, num triste mas preocupante espectáculo que a todos nos deve alertar quanto ao comportamento e ousadia das forças da extrema direita.

Os Serviços Públicos e em particular o SNS, os Transportes, a Educação, são objecto diário de notícias que em alguns casos nos colocam ao nível do terceiro mundo. Foi-se longe demais na desatenção e no desinvestimento. É portanto indispensável que este e os próximos OE dêem uma resposta que inverta esta tendência de anos.

O imbróglio em que se encontra o Partido o Livre na sua relação com a deputada (a única aliás) que dispõe na AR, não é para mim de todo inesperado. Resulta, a meu ver, quando as escolhas para cargos de grande responsabilidade assentam, não em valores sólidos políticos e éticos, mas antes na imagem da novidade que possa ser atractivo para uma imprensa ávida do que é diferente, independentemente da sua solidez. Ou muito me engano e gostaria que assim fosse, ou este episódio é o primeiro dos muitos que se irão seguir, porque tal como a candidata já o expressou, o mandato é dela. Atitude também já expressa no mesmo sentido pelo deputado do Partido Liberal, o que conduziu à demissão do respectivo Partido.

Morreu José Mário Branco e daqui lhe presto a minha homenagem. Homem da resistência e do 25 de Abril. Está como cantor, músico e extraordinário letrista, entre os maiores. É com muita pena que precocemente nos deixa.

Carlos Figueira

carlosluisfigueira@sapo.pt

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