OPINIÃO

VAI ANDANDO QUE ESTOU CHEGANDO

OPINIÃO | CARLOS FIGUEIRA

O mês de março oferece-nos um conjunto de comemorações de enorme significado histórico. Desde logo, a 6 de Março, o Aniversário do PCP que este ano comemora 100 anos de existência e que de acordo com o anunciado pelo seu Comité Central, cujo Congresso está marcado para finais deste ano no qual será eleito novo Secretário Geral, prolonga por dois anos, um conjunto de iniciativas relacionadas com essa data histórica à qual a Renovação Comunista não deixará de forma autónoma fazer parte pelo facto de muitos comunistas que deram muito das suas vidas a este Partido e que de uma forma ou de outra se foram silenciosamente afastando e outros expulsos por discordâncias políticas com a direcção política do Partido, desejarão contribuir com os seus testemunhos, reflexões, alargados a todos aqueles que desejem participar num debate alargado para encontrar caminhos à esquerda que nos conduzam a melhores soluções e propostas, para enfrentar os desafios de hoje na defesa dos interesses do País e dos trabalhadores no seu conjunto, num país que hoje é outro. Porque entendem que seria injusto que tais comemorações ficassem exclusivamente nas mãos e sob a direcção do PCP actual ignorando, como tem acontecido, que há mais comunistas que deram à luta do Partido, que estão na sua direcção, que não podem ser mantidos à margem desse processo nos seus testemunhos nem nas suas ideias.

A derrota do nazi fascismo para a qual a então União Soviética com a libertação da ocupação pelas tropas de Hitler da Polónia, Checoslováquia, Hungria, Bulgária, Ucrânia, de entre outros, e na contribuição que tal facto deu para a reanimação da libertação de outros países europeus, ainda sob domínio fascista, não correspondeu posteriormente a uma consolidação política. Nem na inovação de um sistema democrático, nem nas feridas da guerra, nem no desenvolvimento económico, tecnológico do País, face à concorrência feroz que lhe foi movida pelos países capitalistas apostados na reconstrução da sua área de influência. O que conduziu a curtíssimo prazo ao descalabro, sobretudo após a derrocada da então União Soviética arrastando consigo a influência o desaparecimento e sobretudo à quebra de influência social de múltiplos Partidos Comunistas de que o PCP à semelhança de outros continua a ser um exemplo.

O Dia Internacional da Mulher continua a ser um marco histórico que se estende desde o início do século vinte e tem como referência a luta das mulheres fabris nos EUA, já num processo que se alargava a toda a Europa com a entrada de mais mulheres no mundo do trabalho. Apesar das diferenças que ainda existem em matéria de salários, não reconhecimento de diferenças sociais que separam homens e mulheres (os homens não parem) do direito ao aborto, do divórcio e reconhecimento dos direitos de cada um, e sobretudo das diferenças salariais para trabalho igual, existe ainda um longo caminho a conquistar, mas hoje é visível que existem mais mulheres em lugares de chefia, conquistados porque são melhores, mais qualificadas, estudaram e são melhores trabalhadoras.

O Vírus chame-se ele o que for, está aí e não está para o ignorarmos. O Presidente já tomou medidas e está de quarentena. O que por si só significa que é um aviso para um problema grave que pode estar para durar. Creio, porque sou optimista, que estamos em condições de controlar a situação e não haverá situações para pânicos até agora infundados, e diria mais, que a organização do nosso SNS, com todas as carências que se lhe podemos reconhecer, tem respondido, até agora, à situação que lhe era exigida. Os cientistas responderão em tempo próprio a uma interrogação que assalta a muitos de nós: o porquê da sua expansão se dar mais rapidamente, sobretudo em ambientes mais frios? O que, a ser assim, nos protegerá mais!

Só que, com todas as prevenções que nos estão a ser anunciadas, a serem praticadas no Algarve, entrarmos também de quarentena nos longos beijos de amor.

Carlos Figueira

carlosluisfigueira@sapo.pt

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