OPINIÃO

Vai Andando Que Estou Chegando

OPINIÃO | CARLOS FIGUEIRA
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Os feriados prolongados na semana passada com a colagem de um fim-de-semana, atraíram ao Algarve alguns milhares de portugueses. Sinais positivos que não dando para retirar deles conclusões apressadas do que poderá significar o verão que temos à porta, mas talvez anunciem, após a abertura da fronteira, para tornar menos penoso todo este tempo de pandemia que conduziu ao encerramento de centenas de unidade de alojamento e restauração. Ao receio que ainda existe, soma-se a perda de emprego e de recursos para muitos, sobretudo de uma classe média baixa que no espaço de pouco tempo viu a suas poucas reservas esgotarem-se. Aliás numa zona em que o comércio de fronteira depende em muito da presença dos nossos vizinhos, era visível, que sobretudo no que respeita à restauração, aqueles que mais dependiam da sua presença, estavam praticamente vazios, enquanto outros, cuja presença de portugueses em todo o ano era predominante, alguns deles estavam, não só cheios, como tinham filas esperando lugares. Mas, do que pude observar, não deu para tirar, sobretudo a Sotavento, ideias sólidas do que nos espera o verão. Nem de outro modo poderá ser, porque a crise económica permanece e vai ser longa. Numa perspectiva mais optimista, pode eventualmente ser menos grave, do que se poderia esperar se a pandemia não se agravar.

A esperada saída do Ministro das Finanças, Mário Centeno, desencadeou uma onda não só de comentários críticos sobre o seu inestimável contributo como membro do governo no acerto das contas públicas, o que entre outros contributos, é necessário não esquecer, repôs não só as contas em dia como para tal contribuiu com a eliminação dos cortes do governo de Passos, por imposições da Troika, nos subsídios das pensões, das férias, do décimo terceiro mês, procedendo a uma política de benefícios fiscais para com os mais desfavorecidos, política agora severamente criticada (veja-se o editorial do Expresso desta semana), equilibrou as contas públicas de forma ao País ter obtido um orçamento positivo facto que não fora a crise, se iria repetir este ano, recuperou o presíigio internacional pela qualidade do seu trabalho no interior da UE o que o conduziu a Presidente do Eurogrupo. Neste contexto só por ódio, inveja, perseguição ou sectarismo político, se justifica, a um homem com provas dadas, se erguer uma barreira para tentar impedir a sua nomeação para a sua nomeação para Governador do Banco de Portugal, ao ponto de se fabricar uma Lei nesse sentido. Veremos os próximos capítulos, mas estamos, a meu ver, em presença do que nos pode oferecer o pior na presença da actividade política.

A situação na América prolonga-se numa onda de violência. Inquietante são também as posições de Trump e de comentaristas que acompanham dando ideia que este poderá não aceitar os resultados se perder as eleições. Se assim for, caminharemos para onde, num País com fortes instituições democráticas. As manifestações contra o racismo alargam-se para além da América sobretudo em Inglaterra e França. Pinturas e derrubamento de Estátuas sucedem-se em vários Países, entre os quais em Lisboa, na Estátua do Padre António Vieira, filósofo, da Companhia de Jesus que se distinguiu exactamente em defesa das populações indígenas, numa representação de radicalismo fascista, que nega o papel que cada povo teve na construção de novo mundo, o que não deixa de ser inquietante e para o qual continuamos a não ter respostas.

Carlos Figueira

carlosluisfigueira.@sapo.pt 15.06.020

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