OPINIÃO

Vai Andando Que Estou Chegando

OPINIÃO | CARLOS FIGUEIRA

Com o anúncio da candidatura de João Ferreira por parte do PCP estão fechadas as candidaturas no campo da esquerda às eleições Presidenciais do próximo ano. Marcelo guardará para o limite de tempo a sua apresentação, explorando assim todos os seus actuais gestos de Presidente em exercício, em presenças que podem até ser interpretadas, com alguma razão, como actos de pré campanha a seu favor, o que não chega a ser incomodo ou fonte de notícia ou comentário, numa imprensa amarrada à pequena política, onde impera a superficialidade, a hipocrisia e o medo de ser despedido, como marca dos tempos em que vivemos.

Na fase em que estamos pouco importa agora chorar sobre o leite derramado do PS não ter apresentado candidato própria a estas eleições presidenciais. Não é a primeira vez que tal acontece por muito importante que na actual conjuntura política tal se verificasse. Mas a questão agora é outra e não há que perder tempo com questões secundárias.

O País encontra-se à beira de uma enorme crise provocada pelo acentuar dos efeitos da pandemia com consequências gravíssimas não só na saúde pública mas na própria economia.

A direita e a extrema-direita estão conjugadamente numa concertada ofensiva contra o governo, utilizando todos os meios, mesmo o de maior pobreza política. Pode afirmar-se, que até aqui, sem grande sucesso, porque a direita não apresenta soluções credíveis que convençam quem necessita e são a maioria dos portugueses de soluções para as suas vidas.

Vidas que lhes garantam emprego seguro, salário mínimo digno, fácil acesso ao subsidio de desemprego, amplitude de benefícios sociais que só são possíveis de manter através da dinamização económica do sector publico e privado, sobretudo na pequena e media empresa, ajudas dirigidas à experiência que dispomos, em sectores onde sempre nos destacamos, e ainda no plano social, pelo reforço do SNS de forma a que se possa enfrentar com a máxima eficácia os danos de um acentuar dos efeitos da expansão e consequente gravidade da pandemia. A maioria do povo português necessita de quem lhes assegure um quadro de estabilidade, não será possível vive sobre a instabilidade e o medo por muito mais tempo.

Voltando às Presidenciais na esquerda quer Marisa, quer Ana Gomes, batendo-se como é normal cada uma pelas suas ideias e programa, não enjeitam a ideia de virem a desistir para aquela que maior votação poder obter, podendo mesmo, nessa perspectiva, alcançar um resultado que permita disputar com Marcelo uma segunda volta. João Ferreira pela voz de Jerónimo não demonstrou tal abertura, reafirmando antes a sua vontade de se bater até ao fim.
Mas aguardemos, a vida pode dar ainda muitas voltas.

E, como acentua a Renovação Comunista, no seu comunicado sobre estas eleições…“ a concertação de posições, com a desistência dos candidatos de esquerda menos bem colocados a favor do melhor colocado, seria a melhor oportunidade de tornar um quadro político marcado pela complexidade numa perspectiva mais clara de avanço, pois ajudaria a gerar a expectativa de influenciar a condução política a prazo e a remeter a extrema direita para a margem do sistema”.

Carlos Figueira
carlosluisfigueira.@sapo.pt

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