OPINIÃO

Vai Andando Que Estou Chegando

OPINIÃO | CARLOS FIGUEIRA

Após longa ausência, facto que já não se verificava há algum tempo, regressei finalmente a casa, após calcorrear países e conhecer gentes. Mas o regresso impunha-se pelas circunstâncias da vida, o que apesar de tudo me provocou uma sensação estranha, algo contraditória até, motivada entre o desejo de finalmente voltar ao convívio do ambiente que justificou a partida com um regresso que me permitia a possibilidade de conviver com filhos e amigos mais próximos, sem que deixasse de se manifestar em simultâneo e algo contraditório com o desejo de ter ficado mais tempo no local de partida.

De regresso encontrei um País a braços com a praga da Pandemia provocada pelo Covid facto que atinge boa parte da Europa e do Mundo. Acabo de receber a notícia que aumentaram os casos de contágios em VRSA e em Castro Marim o que conduziu os dois municípios a tomar medidas não só de aviso como a impor regras de precaução para evitar ao nível de comportamentos sociais para que não se alargue o número dos infectados, incluindo nelas a obrigação do uso de máscaras em espaços públicos prática que desde há muito se verifica na nossa vizinha Espanha.

Já para todos, ou para a maioria da população, se tornou claro, que estamos em presença de uma nova vaga, ou espiral, como queiramos, dos efeitos de propagação do vírus que exigem receitas que não são comportáveis como as que foram utilizadas no início da pandemia. Quer porque estamos hoje melhor preparados para enfrentar os seus efeitos através da experiência adquirida e de todos os reforços que foram sendo feitos no SNS, quer porque a população ou parte dela foi aprendendo ou assimilando regras de comportamento para se defender.

Porque imaginar que hoje seria possível voltar a encerrar fronteiras é não estar a encarar a solução do problema de frente em que nos encontramos, como não será de todo possível voltar como no início da pandemia a encerrar toda a actividade económica e meter todas as pessoas em casa. Quaisquer destes medidos seriam a ruína do País.

Haverá medidas de contenção como a diferenciação de horários de trabalho e outras que à luz da experiência adquirida irão certamente ser tomadas, mas qualquer delas não dispensará a responsabilidade que pesa sobre a atitude dos cidadãos para através do seu comportamento social evitar e diria mesmo combater manifestações que conduzam à propagação desnecessária do vírus. Porque convenhamos enquanto não se descobrir uma vacina testada que produza um efeito eficaz não haverá cura milagrosa.

De regresso à vida política do País neste fim de semana realizou-se a Convenção do Chega na qual era suposto eleger uma lista para a direcção nacional objectivo que André Ventura só conseguiu obter após duas tentativas falhadas o que demonstra pelo menos duas coisas: que AV deseja contra tudo e todos governar sozinho e que dentro vai ter de pedalar bastante para que tal possa pacificamente acontecer.

Aliás curiosa foi a resposta que deu numa entrevista no novo programa na SIC nessa mesma noite quando a entrevistadora lhe pergunta se mantinha a postura de se demitir se nas eleições presidenciais ficasse atrás de Ana Gomes. Em resposta AV falou de tudo menos da resposta que deveria dar acabando de todo por não responder à questão que lhe estava a ser colocada. Ou seja ficamos todos a saber que o político que se afirma da verdade não passa de um trampolineiro.

Carlos Figueira

carlosluisfigueira.@sapo.pt

Tamanho da Fonte
Contraste
%d bloggers like this: