OPINIÃO

Vai Andando Que Estou Chegando

OPINIÃO | CARLOS FIGUEIRA

Não sei se noutros locais do Algarve se passará o mesmo por aqui estamos desde há alguns dias e já lá vão muitos confinados a um ataque de moscas que não nos deixam estar tranquilos nem a comer nem a caminhar. Dizem uns que são as moscas da Feira da Praia, e outros lhe chamam a de Frutos Secos e que dado que este ano não se realiza não deixam de marcar lugar, facto agravado pela circunstância da ausência da chuva que permanece. Seja como for, trata-se de uma praga que a todos incomoda e dá azo a situações deveras caricata como a que ocorreu há dias quando regressando a casa com as duas mãos ocupadas com sacos de compras me vi aflito para afastar esta praga. A solução foi baixar os sacos, afastar momentaneamente o ataque das moscas para, passos após, repetir o gesto o que significou demorar um tempo infinito para chegar finalmente a casa.

Mas nem tudo foi tempo perdido porque no meio da irritação provocada, como devem entender, a cada paragem, fui-me dando conta da sujidade que permanece de ruas que “há séculos“ não são lavadas e onde se acumulam papéis sujos, detritos ressequidos de animais, roupas usadas e depositadas sem se saber porquê no espaço público, máscaras, ervas, águas estagnadas por falta de escorrência, o que conduz à acumulação de insectos e maus cheiros, dando toda esta paisagem que não se resume ao circuito das minhas compras e ao ataque de que fui vitima das moscas da “Feira da Praia“ mas que se alarga, no mesmo sentido, a outras zonas, áreas e projectos que na minha opinião tendem a caminhar para a sua completa descaracterização. E é só nesse sentido que pela primeira vez ao longo deste enorme historial de crónicas minhas neste JA, que deixo aqui este desabafo em relação ao qual espero não voltar.

Deveras preocupantes para todos nós são os crescentes níveis do covid-19 a apelarem a comportamentos cívicos porque a não ser que surja o milagre de uma vacina que resolva a questão de fundo não haverá outra forma de minimizar os seus efeitos senão a par do reforço dos efectivos médicos e de enfermagem cujo percurso estará sendo feito, não haverá outros meios milagrosos senão seguimos as indicações que nos são aconselhadas pelos serviços públicos de saúde. Atrevendo-me a especular sobre a situação diria ainda que um passo em frente no plano global poderia ser dado dado com a derrota de Donald Trump nas próximas eleições nos Estados Unidos, não só porque ajudava a desmascarar o rol de mentiras sobre a matéria que constitui o vírus e a origem da pandemia, mas também se dava um passo quiçá maior para acelerar a produção necessária e em massa da vacina.

Foi hoje entregue a proposta de OE para 2021, com votação na generalidade marcada para 28 de Outubro e votação final para 26 de Novembro. Talvez fosse demasiado optimista no meu último texto quando me referi à natureza do entendimento à esquerda na aprovação deste Orçamento dado o esforço que o Governo anunciava a cada passo sobre entendimentos que estavam em curso. Pelos vistos o terreno não estará assim tão fácil. Mas creio que também será necessário entender que o País está perante um dos momentos mais difíceis dos seus mais próximos tempos. Seguramente que os sacrifícios terão que ser suportados não só pelos trabalhadores e classe média, mas também por aqueles que enriqueceram com a crise.

Neste tempo que resta de negociação até há aprovação final é tempo de evitar o que seria pior para o País e em primeiro lugar para os trabalhadores. Ou seja, a abertura de uma crise política com a marcação de eleições gerais para meados do próximo ano e o País a ser gerido por duodécimos.

Carlos Figueira

carlosluisfigueira.@sapo.pt

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