OPINIÃO

Vai Andando Que Estou Chegando

OPINIÃO | CARLOS FIGUEIRA

Devo ter sido dos primeiro utentes do Centro de Saúde do Levante Algarvio, estrutura do SNS, situado em VRSA, a receber a vacina contra a gripe, às 8h15 da manhã, de 19 deste mês, cumprindo rigorosamente o dia e horário marcado semanas antes.

O tempo anunciava mudanças e os seus efeitos começavam a sentir-se. Não tanto em chuvadas, que ainda não se fizeram sentir, embora fossem bem-vindas dada a secura em que temos estado a viver com todos os efeitos negativos para a economia regional e até para o abastecimento público, porque as barragens estão no seu limite, como é de todos conhecido, mas junto ao mar a tempestade anunciava-se. Como é hábito o meu início de semana está reservado para almoçar com amigos em Monte Gordo junto à praia nessa extensa baía hoje singularmente habitada por gaivotas enterradas na areia protegendo-se do mar revolto que já anunciava a tempestade.

A discussão sobre o OE domina a vida política. Tenho dúvidas se tal questão sendo de inegável importância suscite de igual modo o interesse da maioria dos portugueses. Porque de facto o que a maioria deseja é que o emprego não esteja em causa, que a reforma lhe seja paga e aumentada na medida do possível, que a escola funcione sem sobressaltos, que o SNS quando tiver necessidade de a ele socorrer funcione e seja atendido em condições. Mais, tendo a noção que o País atravessa uma das maiores crises económicas às quais se associa a crise da pandemia provocada por um vírus que até agora ninguém conhece realmente a origem e cura e de cujos efeitos não só lhe provocam medo de morte mas mais que tudo lhe alteram modo de viver.

As sondagens não variam no essencial em relação à influência relativa que os diversos partidos dispõem na vida política, para mal de nós todos diria, daí que a proposta de rotura à esquerda do Bloco se expressa num radicalismo em desconformidade com o que a maioria dos portugueses deseja. A influência do Bloco é o que é e não representa mais do que vontade política de 8% dos portugueses. O que não significa que tenhamos de continuar a combater para que o OE proteja melhor os mais fracos na sociedade, a carga de impostos aliviasse a classe média, melhorando o consumo e o investimento, em desfavor justo do enriquecimento fácil de grandes fortunas que continua a ser intocável neste OE.

Levantam-se as maiores dúvidas sobre o evoluir da pandemia tanto quanto as medidas a tomar para evitar males maiores, quais: voltarmos de novo ao encerramento de fronteiras e ao condicionamento da economia. Oxalá não possamos chegar a tais medidas condicionantes as quais seriam efectivamente um desastre de proporções deveras assustadoras. Mas esperam-se a curto prazo mais medidas na medida em que os números de infectados continuar a subir, tal como noutros países europeus. Lembro o recolher obrigatório em França e o encerramento de restaurantes e bares na Bélgica. Espero que por cá não se chegue a tanto, mas é para termos a noção da situação na Europa em que nos situamos e da responsabilidade como cidadãos que também temos cada vez mais de assumir.

Carlos Figueira

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