POLÍTICA
OPINIÃO

Vai Andando Que Estou Chegando

OPINIÃO | CARLOS FIGUEIRA

Estamos em ano de eleições autárquicas. Talvez seja um bom momento para recordar quanto esta conquista foi decisiva ao longo desta quarentena de anos para o desenvolvimento do País e a modernização das nossas cidades e vilas. As eleições próximas para os diversos órgãos que compõem o poder autárquico serão, como o têm sido, fundamentais para o alargamento da democracia participativa e a boa gestão dos fundos públicos, nacionais ou comunitários.

É evidente que alguns eleitos Presidentes ou Vereadores assumiram más práticas de tal forma que foram dados culpados pela justiça e alguns mesmo condenados e presos. São todavia excepções, num universo de largas centenas de eleitos, e como tal deveriam ser tratados, num processo marcado por uma a imprensa que em geral privilegia os casos individuais em prejuízo do todo, dando assim uma imagem distorcida do que representou para o progresso do País a existência de órgãos eleitos directamente pela população, dotados de poderes próprios. Poder-se-ia ter avançado mais, na outorga de maiores poderes ao poder local mas, aqui chegados, essa é uma conquista de todos que está em aberto.

O primeiro-ministro anunciou que a verdadeira regionalização do País está por fazer e essa é uma questão chave para deixarmos de ser um “País dos pequeninos” enquanto na sua sombra outros engrossam. Abre tal processo com propostas de maior descentralização para as regiões, de futuro concentradas nas actuais CCDR’s, cuja composição passam a ser eleitas directamente embora, com um colégio eleitoral condicionado. Pouco ainda se sabe sobre matérias e poderes que lhe vão ser conferidas. Não será tudo, mas trata-se de um pequeno passo que temos de valorizar. Aliás se tal descentralização não se operar, seguramente ficarão num biombo sombrio, a aplicação dos fundos comunitários para os próximos anos.

A descentralização de poderes para as regiões, tem de envolver a desburocratização do aparelho de estado, sem o qual nada faz sentido. Os múltiplos poderes hostis, bancos, sistema financeiro, gabinetes de advogados que fabricam leis à medida do negócio da sua posterior aplicação. Trata-se do desmantelar de diversos poderes instalados com os quais longe do assunto local a tratar, vivem desse condicionamento de decisões. O seu desmembramento deverá estar inscrito na grande reforma de que o País, no seu todo, carece a par da reforma da justiça.


O processo de desconfinamento avança com a prudência que os dados da vacinação e os números de novas infecções, servem igualmente de orientação para as medidas tomadas. Trata-se de preservar a saúde dos portugueses. O aproveitamento político que a cada fase do processo, a oposição de direita e de esquerda, se faz sentir nas críticas a cada medida, continua a ser penalizada pelos eleitores como as diversas sondagens o demonstram. Trata-se de uma questão de bom senso que em muitas circunstâncias tem estado ausente.

É muito penalizador para o turismo a medida tomada pelo Governo Inglês ao retirar Portugal da lista verde tendo como resultado o regresso mais cedo de milhares de turistas oriundos desse País para se salvaguardarem dos efeitos da quarentena quando do seu regresso. Medida que a todos colheu de surpresa adiando que se vislumbrava como início de alguma recuperação económica deste vasto sector. Não disponho de dados que me permitam ir mais além do que é público. Mas na verdade continua a ser preocupantes os números que dão nota do crescimento de novos infectados, apesar do enorme progresso em termos de vacinação. Haverá eventualmente interesses económicos em jogos associados à nossa dependência do mercado inglês. Teremos que retirar da situação todas as consequências.

Por aqui o mau tempo parece ter-nos abandonado. Finalmente dias de sol. A nova luz acoche-nos com outra cor, mais luminosa, tornando a vida mais acolhedora. Finalmente podemos ocupar esplanadas e eventualmente jantar ou simplesmente tomar um copo acompanhado de um petisco de queijo ou presunto a fazer de refeição.

Todos nós estamos necessitados de abraços e beijos no final deste longo martírio!

Carlos Figueira

carlosluisfigueira@sapo.pt

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