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OPINIÃO

Vai Andando Que Estou Chegando

OPINIÃO | CARLOS FIGUEIRA

Tendo como pano de fundo a questão Catalã que continua na sua eternidade, apesar do corajoso discurso de Pedro Sanches a justificar os indultos a presos por desrespeito pela Constituição no seu activismo no referendo sobre a independência da Catalunha, o Primeiro Ministro em funções oferece com tal atitude uma plataforma de negociação em nome da unidade do País. Intervenção que obteve como resposta a radicalização da Esquerda Republicana com uma intervenção política assente no propósito de seguirem uma linha política radicalizada, pela independência da Catalunha o que os afasta da maioria da opinião do povo espanhol.

A recente e profunda remodelação do Governo de Pedro Sanches teve como grande novidade o afastamento do seu chefe de gabinete, Ivan Redondo, tido como o ideólogo do regime, a introdução de 14 mulheres no executivo do governo, algumas delas oriundas da presidência de importantes municípios a par de 9 homens. Feitas as contas o novo governo terá, eventualmente, na sua composição, (que continua a contar com cinco ministérios atribuídos ao Podemos, no respeito pelos acordos firmados) será, no quadro da UE para além da junção de juventude com experiência política, com a presença de mulheres acima dos 60%, o que faz deste futuro governo um exemplo único.

Para além de amenizar críticas de todos os quadrantes, mas sobretudo provenientes do centro direita, este novo governo surge na tentativa de dar força, energia, numa simbiose entre ciência e gestão no terreno, na aplicação dos fundos comunitários que começam a chegar.

Por cá, a última sondagem conhecida, dá conta do PS à beira da maioria absoluta, contrariando todas as teses sobre a crise e desgaste do governo, no comentário político que envolve toda a direita, produto da complexa teia de cumplicidades em que assenta todo o comentário político situação deveras singular no pós 25 de Abril. Importante igualmente registar a estagnação que envolve toda a esquerda, com o Bloco a aproximar-se do PCP, o que significa perda de credibilidade política, deixando a esquerda num cenário deveras preocupante. Igualmente preocupante é a baixa popularidade de Jerónimo, sem que aparentemente ninguém se sinta incomodado com tal facto.

Num País a contas com o crescimento de infeccionados pela Covid-19, apesar de todos os esforços que estão no terreno para acelerar a vacinação, a grande notícia que marca a informação é a prisão de Luís Filipe Vieira, Presidente do Benfica, num quadro pela repetição de notícias que nos conduz ao vómito, de tal forma que o assunto Berardo com caução de 9 milhões de euros ter passado para enésimo plano.

Realidade só possível de entender através do negócio instalado de venda de informação em sigilo da justiça aos diversos órgãos de informação, o que nos conduz a uma margem de suspeição, perante um dos mais importante alicerces do Estado Democrático. Ou seja o desprestígio e a falta de confiança perante os portugueses em que navega a justiça.

No arvoredo denso que me circunda, abundam os melros pretos de bico amarelo e as suas companheiras de plumagem cinzenta. Diz-se por aqui que de tempos imemoriais se procura a existência de uma espécie de cor branca, sinónimo de todas as virtudes. Nesta permanente busca utópica, a humanidade em que vivemos não haverá lugar para tal acontecimento.

Carlos Figueira

carlosluisfigueira@sapo.pt

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