OPINIÃO

Vai Andando Que Estou Chegando

política
OPINIÃO | CARLOS FIGUEIRA

Voltando às autárquicas as consequências dos resultados obtidos por cada força política só se tornarão claros após a posse dos novo eleitos e dos compromissos ou acordos sobretudo em órgãos executivos ganhos em minoria. Interessa-me sobretudo o que se vai passar à esquerda. Quanto ao Bloco Catarina Martins deixou claro que não farão alianças ou acordos com a direita já em relação ao PCP Jerónimo fugindo à questão deixou no ar a ideia que analisará caso a caso o que significa uma política de zigue-zague que ninguém entende, na senda da análise à derrota sofrida com perda de votos e Câmaras, refugiando-se na ideia que foi um bom resultado perder pelos mínimos na esperança de nas próximas voltar a ganhar. Ora perder por poucos é perder e quanto às recuperações temos o exemplo de Almada que após ter perdido há quatro anos por pouco o PS não só voltou a ganhar como desta vez por maioria absoluta. A destacar neste quadro a diferença das declarações de João Ferreira na entrevista que deu a Ana Sá Lopes sobre o comportamento a assumir na Câmara de Lisboa enfatizando que não será de “terra queimada” mas confrontará Moedas com propostas da CDU inscritas no seu programa eleitoral o que significa uma postura interveniente distante do caso a caso de Jerónimo.

Mas a grande questão política que marcará os próximos dias pelo menos até finais de Novembro gira em torno do próximo Orçamento do Estado. A esquerda sobretudo PCP e Bloco têm-se distinguido por declarações sobre o que pretendem vir a ser assumido no próximo OE. Creio que se trata de um processo no qual seria mais frutuoso para estes dois partidos que se conduzissem com alguma reserva porque será difícil admitir erguer muros na praça pública. O País atravessa após ano e meio de pandemia uma situação complexa. Entre a necessidade de acorrer ao reforço do apoio a empresas de natureza diversa muito fustigadas com a pandemia e apoios sociais aos menos protegidos ou seja salário, pensões, bem como tratar das carências evidentes no SNS apesar de ter sido fundamental em todo o período da pandemia.

Neste contexto e já tendo como certas as ajudas comunitárias inscritas no PRR, não aprovar o OE é para além das diferenças políticas, programáticas que os separam do PS, seria um acto de extrema irresponsabilidade que o povo não suportaria, porque abria caminho a Marcelo para dissolver a AR e provocar eleições antecipadas, paralisando o País durante largo tempo no preciso momento em que as ajudas europeias necessitam de rápida concretização quer no investimento público quer no sector privado. Aliás o Bloco tem vindo a pagar com o decréscimo da sua influência, o facto de ter votado contra o OE de 2021. A haver rasgo e audácia política, neste contexto, o que deveria ter sido feito pela esquerda seria antes discutir com o PS a possibilidade de um acordo à esquerda até finais desta legislatura. Acordo que definisse o sentido da política do País para os próximos tempos e no qual naturalmente caberiam as reivindicações do momento.

Neste complicado xadrez, dificultando a vida a Marcelo, toda a direita do PSD ao CDS, apresenta-se fragmentada sem a credibilidade necessária para aspirar a uma mudança de ciclo, com Costa a alertar justamente para os maus resultados obtidos pelo PS nas autárquicas e Marcelo a convocar para terça-feira uma reunião com todos os partido um dia depois da apresentação na AR do projecto do OE para o próximo ano.

Carlos Figueira

carlosluisfigueira@sapo.pt

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