OPINIÃO

Vai Andando Que Estou Chegando

política
OPINIÃO | CARLOS FIGUEIRA

Uma das consequências que resultam do voto contra da esquerda ao OE/22 e decorrente marcação de eleições antecipadas para a AR é o facto de com tal acto ter animado a direita na perspectiva de ganhar eleições, ou obter um resultado que lhes permita negociar a forma de governo a seguir aos resultados de 30 de Janeiro. Nesta perspectiva, não será de admirar que tal actitude face ao OE, tomada à esquerda do PS, tenha igualmente animado sectores da direita no interior deste partido, para soluções mais ao centro.

Em tal contexto é de todo estranha, incompreensível mesmo, a posição que continuam a assumir quer o Bloco quer o PCP, quando criticam as aspirações do PS a obter uma maioria absoluta ou, pelo menos, um resultado que o coloque de forma mais confortável a negociar apoios claros e sustentáveis no suporte a um futuro governo, quando se exprimem de forma a considerar que tal propósito ou projecto do PS, esconde negócios com a direita para a formação de um bloco central com o PSD, ou de forma mais agressiva ainda, vendo em tal actitude uma aspiração para montar um governo ao serviço do grande patronato interno ou externo e portanto contra os interesses do País. Ou seja, o PS como inimigo principal a abater.

É neste tipo de raciocínio político, longe da realidade, que observamos as ultimas entrevistas de membros da Comissão Política do PCP, quando um deles JC esclarece, para espanto de muitos, uma posição de partida negocial, desconfiando da vontade e seriedade dos representantes do Partido, e do próprio Governo, com quem se tinham proposto negociar. É esta a linha que se encontra nas decisões do CC do PCP deste fim-de-semana na qual, tal como na abertura do Bloco para negociações posteriores, se anuncia uma abertura, sempre condicionada a exigências, sem quantificações face ao estado da economia do País para as suportar, ou a colocar o interlocutor perante exigências programáticas pouco compagináveis com a influência que estas forças politicas dispõem na sociedade.

Exemplo desta desorientação política tivemos este fim de semana uma manifestação em Lisboa, mobilizando meios e pessoal de todo o País, acto da responsabilidade da CGTP, assente em reivindicações perante um governo inexistente para sequer as ter em conta, movimento do qual resulta a incompreensão de grande parte da sociedade por não encontrar explicações plausíveis para tal mobilização, mesmo que muitos estejam de acordo com boa parte das consignas que lhe serviram de motivação.

A direita continua num esforço de arrumar casa. As eleições internas do PSD contarão bastante para a futura arrumação das forças políticas já que o CDS acelera para se transformar num “Partido Táxi” e o Chega, felizmente, perde a cada dia credibilidade.

De volta temos o Covid promovendo medos, intranquilidades, sentimentos, nem sempre correspondentes com a gravidade dos factos que as estatísticas anunciam. Mas a realidade impõe um enorme sentido de responsabilidade perante os prejuízos que causam à sociedade todos aqueles que continuam num estado de negação à vacina, mas igualmente exige, mesmo para aqueles que a seu tempo foram duplamente vacinados, a seguir com rigor as recomendações que nos são dadas pelas autoridades sanitárias e Governo, sustentadas pelo saber da ciência.

Curiosamente, no meu caso, neste dia, mesmo que ocupado pela escrita da crónica semanal para o JA, fui duplamente vacinado (Gripe e Covid) o que me deu um ganho de tranquilidade. Num processo exercido através SNS do País, onde vivo a maior parte do meu tempo, bem acolhido pelos serviços a que correspondem, num acto tão simples como eficaz.

Carlos Figueira

carlosluisfigueira@sapo.pt

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