OPINIÃO

Vai Andando Que Estou Chegando

política
OPINIÃO | CARLOS FIGUEIRA

O tempo corre mais rápido que o vento. Aproximamo-nos de mais um final de ano, da entrada de um novo ciclo de vida, pessoal, político, no qual depositamos esperanças de vida fundadas, nuns casos em trabalho garantido e pago com a justiça que merece, noutros no acesso a uma felicidade partilhada desde há muito anunciada e não cumprida e ainda daqueles que aspiram no percurso final das suas vidas libertar-se das doenças que os afligem na miragem de um fim de vida no qual a tranquilidade seja em permanência objectivo a atingir.

A nova variante do Covid veio perturbar a serenidade que os números atingidos de vacinação que coloca o País no primeiro lugar mundial a atingir cerca de 90% da população vacinada, provocou de novo uma onda de medo, intranquilidade, situação em muito motivada por uma imprensa havida de notícias negacionistas, em si mesmo pouco justificáveis, conduzindo a uma aglomeração de gente na procura da terceira vacinação. Na contradição que a situação envolve, resulta o benefício de dispormos de mais gente vacinada. Resta resolver, se vai ou não existir, a vacinação dos mais jovens, a partir dos seus anos de idade, e apelar ao civismo dos que permanecem num estado de rejeição à vacina.

As medidas de precaução anunciadas pelo Governo, situando-me na posição de mero cidadão, sem qualquer valor científico para desse ponto de vista as poder julgar, afiguram-se sensatas, decididas no momento próprio, antecipando crises e politização das mesmas, como se qualquer governo pudesse adivinhar um tempo que para todos nós é inalcançável. De uma questão podemos hoje estar mais ou menos certos, a de que continuaremos a ter presente coabitar com os efeitos provocados pela pandemia que permanecerão, pelos vistos, por tempos que estávamos longe de contar.

Afinal contra a análise de uma montanha de comentaristas das figuras mais conhecidas do PSD, desde Cavaco, Passos Coelho e mesmo disfarçadamente Marcelo, ao nível de Moedas, ou de um vice-presidente de Rui Rio que cometeu a desfaçatez de sair do cargo a semanas da eleição para se posicionar numa posição “neutral”, apesar de todos esses apoios expressos ou disfarçados, de uma clique, dita intelectual, e de uma imprensa subserviente, o antes Presidente ganhou as eleições reforçando a sua liderança. Não vai ter vida fácil na liderança de um Partido dividido ao meio, no plano dos interesses e das formas de acesso e exercício do Poder. O candidato vencido regressa tranquilo ao afago de Bruxelas, cargo no qual se tem distinguido, ao longo do mandato, por críticas ao governo e aos interesses do País. Alguma ética, se a tivesse, teria exigido outra actitude, pelo menos de renúncia ao cargo. Com tal postura representa a afirmação de que a guerra vai continuar, sendo a próxima batalha a formação das listas de deputados a concorrer a 30 de Janeiro.

Na esquerda permanece a crítica ao PS fundada na ideia, até hoje não confirmada, pela prática da acção do actual governo e pelas recentes declarações de Costa que se distancia de acordos com a direita que justifiquem tais críticas, na ideia de que o PS procurava como objectivo novas eleições para atingir a maioria absoluta numa fantasiosa análise, já aqui o afirmei, que tem tanto de infantil como de sectarismo.

A apresentação das listas por parte do Bloco, suscitou alguma perturbação interna e o anúncio antecipado de uma ordem de propostas de negociação, como condição para se sentarem à mesa com o PS, reflectem o vazio em que se encontram, a distância em que se situam em relação à realidade, colocado-os próximo de um pântano ideológico que os conduzirá ao declínio. Ninguém de bom senso aceitará tal postura.

Ainda à esquerda, o PCP apresentou os seus cabeças de lista, nos círculos eleitorais onde permanece a esperança de terem eleitos. Sem novidades, os mesmos de sempre. Significa que Jerónimo permanece como deputado há 46 anos e António Filipe há 33, o que pode significar para ambos, em final da próxima legislatura, se podem reformar confortavelmente. Nem para o Partido que representam, nem para as instituições a que se propõem, é um bom sinal. O que me conduziu a pensar numa alteração da Lei que conduzisse, tal como no Poder Local, a uma limitação de mandatos que até para diferenciação poderia ser limitada a quatro legislaturas.

Carlos Figueira

carlosluisfigueira@sapo.pt

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