VAMOS ANDANDO QUE ESTOU CHEGANDO

Caros leitores estou de volta após umas semanas de férias. Fazia-me falta sair, quebrar as rotinas que sem nos darmos conta nos absorvem o quotidiano e nos avolumam o cansaço. Rever amigos e novas paisagens descansam o espírito e ajudam a retomar forças para os tempos que temos de enfrentar que seguramente entendo que não serão fáceis, apesar do meu regresso coincidir com excelentes notícias para o País. Oxalá se consolidem.

De facto estamos a poucos dias do termino de uma legislatura gerida por um governo minoritário do PS só possível de acontecer por ter sido suportado pelos acordos firmados à esquerda com o PCP, o Bloco, os Verdes e o PAN. Trata-se de um facto de uma importância histórica de enormes proporções não só para Portugal mas também para a Europa.

Acordo que permitiu governar quatro anos com inegável êxito em várias áreas da economia ao social, inicialmente catalogado depreciativamente pela direita e pela corte de jornalistas e comentadores como “geringonça” foi recebido com apupos a que não faltou calendários vários sobre o seu enterro com as inevitáveis, no entender da direita e dos seus apoiantes, desgraças para o País.

O facto é que contra tão maus pronúncios o País cresceu, tem uma das mais baixas taxas de desemprego da sua história, acabaram os cortes nas pensões e nos subsídios de férias, aumentaram até o valor de algumas das pensões assim como dos salários mínimos, abriram-se vagas na função pública, baixaram-se significativamente o preço nos transportes públicos, aumentou o consumo, reduziu-se a dívida, de entre outras medidas em benefício da qualidade de vida dos portugueses. Por último em resultado do acordo entre as forças de esquerda e o PS foi possível obter um acordo para na próxima sexta-feira, em princípio ser votada uma nova Lei de Bases para o SNS que coloque de lado a Lei de Durão Barroso e Cavaco que abriu para os privados o grande negócio da saúde em prejuízo do financiamento do serviço público do SNS, tornando supletivo o seu recurso só na medida em que o serviço público não disponha de meios para responder. Se assim for trata-se de uma vitória histórica.

Está tudo bem? Não está! Muito haverá ainda que fazer em vários domínios para combater desigualdades e de entre elas na legislação laboral, na justiça, na habitação o que uma nova vitória da esquerda deverá enfrentar com sensatez mas igualmente com insistência e preserverância.

A direita chega a este fim de legislatura num estado sem alma, completamente destroçada. A manterem-se os níveis de votação que a última sondagem do Expresso publica na última edição, quer Rui Rio quer Assunção Cristas, podem começar a fazer as malas e tirar bilhete de volta, uma de eléctrico outro de Alfa.

Um novo ciclo político se abrirá após as próximas eleições legislativas de Outubro. Que em tal ciclo se conserve uma correlação de forças que à esquerda dê espaço a um diálogo que ,sendo em muitas circunstâncias difícil, seja sempre pautado pelas soluções que melhor sirvam o povo português no quadro de uma correlação de forças que tem de estar presente.

Carlos Figueira

carlosluisfigueira@sapo.pt

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