Vitória de John Kasich no Ohio alimenta esperanças anti-Trump

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É altamente improvável que John Kasich consiga, até julho, ultrapassar Donald Trump em número de delegados eleitorais e ficar acima dos 1237, o mínimo necessário para disputar a presidência dos Estados Unidos pelo Partido Republicano. Mas com a sua vitória esta madrugada no estado do Ohio, do qual é governador, as hipóteses de Trump, o incendiário líder da corrida, alcançar ele próprio esse mínimo ficam igualmente reduzidas.

Em mais uma noite de primárias norte-americanas, tidas como uma segunda superterça-feira da corrida pré-presidenciais, Trump foi o claro vencedor da noite do lado republicano, ganhando 24 delegados no Illinois, 29 na Carolina do Norte e o total de 99 que estavam em disputa na Florida (para além dos 9 delegados das Marianas Setentrionais). No Missouri deu-se um empate técnico entre ele e o senador Ted Cruz, que ficou em segundo lugar em quase todos os estados menos no Ohio.

Do lado democrata, Hillary Clinton bateu Sanders em quatro dos cinco estados a votos, terminando num empate virtual com o senador no Missouri. As suas vitórias, ainda que por poucos votos de distância na maioria dos estados, parecem provar que a surpreendente vitória de Sanders no Michigan há uma semana foi um evento isolado e não o início de uma tendência que poderia desafiar seriamente a candidatura da ex-Secretária de Estado, que segue cimentada para as próximas fases da corrida.

A vitória de Trump na Florida obrigou Marco Rubio, senador desse estado e em tempos tido como o único “candidato do sistema” capaz de derrotar Trump, a anunciar a saída da corrida. “Depois desta noite, fica claro que apesar de estarmos do lado certo este ano, não estaremos do lado vencedor”, declarou aos seus apoiantes em Miami. “Embora este possa não ser o ano de mensagens otimistas ou esperançosas sobre o nosso futuro, continuo otimista e esperançoso quando à América.”

Cruz aproveitou a onda para tentar capitalizar a desistência, declarando a inauguração de um duelo entre ele e Trump. “A partir de amanhã, cada republicano tem uma escolha clara, apenas duas campanhas têm um caminho plausível à nomeação”, defendeu num discurso em Houston, no Texas, antes de conhecer os resultados das primárias do Missouri, em que mantém uma disputa renhida com Trump.

A desistência de Rubio é uma boa notícia para ele mas também para Kasich e para todos os que não querem Trump a ganhar a nomeação republicana. Pelo facto de o governador do Ohio ter chamado a si o total de 66 delegados em disputa nesse estado, as contas pré-convenção nacional voltam a ficar baralhadas. É muito provável que a maioria dos apoiantes de Rubio e os delegados que já tinha conquistado passem agora a apoiar Kasich e não Cruz ou Trump — como o próprio Rubio já tinha pedido antes desta votação — mas isso só valerá de alguma coisa se Trump continuar distante da fasquia dos 1237 delegados.

Tal reveste as próximas etapas da corrida de extrema importância, sobretudo considerando que, em meados de abril há quatro anos, Mitt Romney, que viria a ser o candidato republicano às presidenciais e que ontem esteve a fazer campanha por Kasich no Ohio, já tinha garantido esse mínimo de delegados quando chegou à etapa de Nova Iorque, que este ano vota em primárias a 19 de abril.

Se Trump voltar a perder — por exemplo já no Arizona a 22 de março, onde também figura o sistema ‘winner-takes-all’ (quando o total de delegados, neste caso 58, vão todos para o primeiro classificado) — a possibilidade de assegurar o mínimo necessário de delegados fica ainda mais distante. E ganha força a hipótese de, pela primeira vez em quase 100 anos, haver uma ‘brokered convention’ republicana onde os membros do partido irão mexer cordelinhos para tirar delegados a Trump e arruinar as suas possibilidades de ser candidato à presidência. Noutros anos, essa hipótese é sempre um pesadelo; este ano é um desejo quase generalizado.

Joana Azevedo Viana (Rede Expresso)

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