VRSA: A Guerra Civil de Espanha e António Bandeira Cabrita recordados no Arquivo Histórico

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A comissão política concelhia do PCP de Vila Real de Santo António promoveu, no sábado, uma sessão evocativa dos 80 anos da Guerra Civil de Espanha, ocorrida entre entre 1936 e 1939, e que teve, entre outros oradores, Domingos Abrantes.

Para este antigo dirigente do PCP, que foi deputado na Assembleia da República e é atualmente conselheiro de Estado, as questões da Guerra de Espanha continuam a apaixonar o mundo. E explicou as causas que conduziram a esta guerra, ligadas aos problemas da repartição da riqueza e, em especial, a uma questão extremamente atual: as políticas de alianças.

“Há, na época atual, uma tendência crescente para branquear o fascismo e estamos a assistir a uma revisão da história. Há um silenciamento em torno destas questões. A Guerra de Espanha foi o primeiro grande conflito internacional das fronteiras da liberdade”, explicou Domingos Abrantes.

E continuou: “Ela importa pelo golpe contra a República Espanhola pelas tropas fascistas de Francisco Franco, com o apoio dos governos fascistas de Hitler e Mussolini. Foi uma guerra internacional disputada num território nacional e as forças em presença, praticamente as mesmas que se opuseram na Segunda Guerra Mundial, daí se considere que a Guerra de Espanha foi, como que, o gatilho da grande guerra de 1939 a 1945.”

Domingos Abrantes abordou o papel das democracias ocidentais nesta guerra, os Estados Unidos, a Inglaterra e a França, esta governada pela Frente Popular, ligada à Internacional Socialista, que “deixaram cair a República Espanhola”.

Domigos Abrantes não esqueceu o papel desempenhado pelas forças anti-fascistas de todo o mundo e a sua participação na guerra ao lado da República, em especial nas Brigadas Internacionais, e destacou o papel de outros portugueses que se alistaram como voluntários contra o golpe.

Muitos estavam a trabalhar em Espanha e alistaram-se no exército republicano, tendo, um elevado número, pago o gesto com a própria vida.

De um destes, o vila-realense António Bandeira Cabrita, falou José Cruz, membro da Comissão Concelhia do PCP, que destacou o seu perfil de juventude, a deportação para Timor, na sequência de uma rebelião contra Salazar em 1931, o alistamento nas Brigadas Internacionais e a morte em combate na batalha de Talavera, já como tenente das tropas republicanas.

António Bandeira Cabrita recebeu honras de herói nacional e teve funeral de Estado.

A sessão, que contou com mais de 40 participantes, teve uma assistência ativa que fez diversas perguntas a Domingos Abrantes, a demonstrar que a Guerra de Espanha está muito viva na memória coletiva desta cidade fronteiriça, Vila Real de Santo António.

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