ALGARVE

VRSA homenageia história e cultura local com placas toponímicas

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Créditos fotográficos: Gonçalo Dourado

A Câmara Municipal de Vila Real de Santo António descerrou na manhã de segunda-feira um conjunto de placas toponímicas nas três freguesias do concelho, terminando com uma visita à obra de requalificação do piso da Rua Teófilo Braga.

Ao início da manhã, o executivo da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, agora presidido por Luís Romão, deslocou-se à Manta Rota para proceder ao descerramento de uma placa toponímica no Largo São João da Degola. Localizada à entrada do areal, esta estrutura pretende homenagear a tradição das festas em honra de São João da Degola.

Já em Monte Gordo, a autarquia descerrou a placa toponímica da Praceta do Casino, na área frontal ao edifício.

Pelas 12:00, o executivo descerrou outras duas placas toponímicas na Avenida da República, em Vila Real de Santo António com referências histórias à antiga vila de Santo António Arenilha, que ali próximo se localizava antes da fundação da atual sede de concelho.

A primeira corresponde à Praceta Capitão António Leite, localizada em frente à Capitania de Vila Real de Santo António, homenageando esta figura histórica que foi alcaide-mor de de Santo António de Arenilha, segundo o historiador Fernando Pessanha.

Durante o seu mandato “são construídos os edifícios mais representativos da antiga vila”, mais concretamente os dois templos religiosos que ali existiam: a Ermida de Santo António e a Igreja da Trindade, refere o também músico e escritor.

Segundo o historiador, António Leite foi “um dos grandes protagonistas da defesa do areal de Santo António de Arenilha contra a pirataria”.

Devido aos ataques da pirataria, o centro urbano de Santo António de Arenilha “dispersou-se pelo território”, apesar da Câmara Municipal da antiga vila nunca ter deixado de nomear vereadores, acrescentou Fernando Pessanha.

Na placa toponímica ali descerrada, é possível observar um documento histórico “que é o inventário da rede de fortificações entre Portugal e Castela”, escrito durante o reinado de D. Manuel, sendo até ao momento o documento mais antigo encontrado sobre este território.

O autarca de Vila Real de Santo António, Luís Romão, destaca a importância da divulgação destes documentos, pois faz parte “de uma geração onde se desvalorizou muito a história de Arenilha, em prol da história da atual sede de concelho”.

A poucos metros de distância, perto do Edifício Parodi, onde atualmente funciona o Conservatório Regional de Vila Real de Santo António, foi descerrada a placa toponímica da Praceta da Bateria do Medo-Alto.

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Créditos fotográficos: Gonçalo Dourado

A Bateria do Medo-Alto da antiga vila de Santo António de Arenilha “estava localizada nas redondezas” daquela praceta e foi “construída em cima de uma grande duna de areia”, explica Fernando Pessanha.

“A Bateria do Medo-Alto era uma fortificação, inicialmente em madeira, constituída aquando da Guerra Fantástica de 1762 entre Portugal e Espanha e que fazia parte de um sistema defensivo muito mais amplo, constituído por uma rede de fortalezas de baterias de artilharia”, acrescenta.

O historiador considera que, apesar de que a bateria “não exista na atualidade”, é da responsabilidade de todos “ reivindicar a antiga memória de um baluarte que defendeu a soberania nacional em várias situações de guerra, das quais se destacam a Grande Batalha do Guadiana ou as invasões francesas”.

Em relação à Invasão Francesa, Fernando Pessanha revelou que “quem inicia a revolta contra a ocupação francesa em Portugal foi o tenente coronel José Lopes de Souza, que era Governador de Armas de Vila Real de Santo António”.

Naquela altura, o tenente coronel “encontrava-se em Olhão para visitar uma filha, quando incitou os olhanenses a revoltarem-se contra a ocupação francesa”.

Já em Vila Real de Santo António, “quando se sabe que o governador incitou os olhanenses, o comandante interino que se encontrava no atual Centro Cultural António Aleixo, em procissão e marcha militar, vem até à Bateria do Medo-Alto”, onde anuncia a resistência e a guerra à população, que estava curiosa e interessada em tudo o que estava a acontecer.

Em relação à placa toponímica ali descerrada, o historiador pretende, através daquela estrutura, “recuperar o imaginário”.

Para o futuro, Fernando Pessanha gostaria de criar um Centro Interpretativo onde seja possível “ colocar em evidência toda a cartografia que existe sobre estes antigos monumentos desaparecidos”.

Apesar da maioria da população do concelho considerar que Santo António de Arenilha estaria antigamente localizada na Ponta da Areia, o historiador esclarece que a localização exata será “ligeiramente a sul de onde se encontrava a Bateria do Medo-Alto”, até à conhecida Rotunda dos Atuns.

Poucos minutos depois, o presidente da autarquia percorreu a Rua Teófilo Braga, conhecida popularmente como “Avenida”, onde agora decorrem as obras de requalificação do piso, que não recebia intervenções desde 1997, durante o mandato de António José.

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Créditos Fotográficos: Gonçalo Dourado

Junto à porta principal do Centro Cultural António Aleixo, foi descerrada a placa desta obra que está relacionada com o brio de ser vilarrealense”, refere Luís Romão.

“Esta avenida é provavelmente uma das ruas mais transitáveis do Algarve e faz parte da nossa identidade”, acrescenta o autarca, que salienta ainda a escolha de “um piso muito semelhante ao que já existe”.

Luís Romão disse ainda que esta “tem sido das obras com mais feedbacks positivos por parte da população” e que “tem sido das intervenções mais fiscalizadas, diariamente à hora e ao minuto”.

Esta obra, feita através do Fundo de Jogo do Turismo de Portugal, “vai dar uma imagem muito interessante” àquela artéria do centro da cidade e o seu fim está previsto entre os dias 10 e 15 de outubro.

“É uma luta que eu tive durante quatro anos e estamos bastante contentes com o desenvolver da obra, que cria incómodos como todas as outras. Tentamos minimizá-los, mas há ações que têm mais ruído. Nós tentamos conciliar tudo isso com as pessoas que vivem aqui e não incomodar e prejudicar os comerciantes, que já sofreram com a covid-19”, refere Luís Romão.

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Créditos fotográficos: Gonçalo Dourado

Presente nesta iniciativa esteve a engenheira responsável da obra, Neuza, que revelou a contratação de 13 equipas para esta intervenção.

“O nosso objetivo é levantar o pavimento e deixar quase tudo o que está em bom estado, só aplicando cola específica. Vão ficar aqui com um novo pavimento e uma rua fabulosa. As grelhas também vão ser substituídas por outras iguais às que estão aplicadas”, refere a engenheira.

A obra decorre apenas durante a noite, cujo licenciamento é até às 05:00, mas a requalificação tem acontecido apenas até às 02:00 ou 03:00 “para não prejudicar os moradores que aqui habitam”, acrescenta.

Luís Romão anunciou ainda que o passadiço de Manta Rota será recuperado “quando acabar o período do verão” e que gostaria de ver requalificado o piso que rodeia a Praça Marquês de Pombal, na sede de concelho.

“Mas isso já não depende de mim”, conclui.

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