ECONOMIA

Xangai2010: “fábrica do mundo” quer confiar roupa topo de gama a empresas portuguesas

A qualidade e o ‘know-how’ vão garantir o futuro das empresas portuguesas de vestuário, às quais até a “fábrica do mundo”, a China, confia a produção das roupas topo de gama, explicou um empresário do ramo à Agência Lusa.

Rui Costa, diretor de produção da Supercorte, empresa que produz camisas há mais de 40 anos, onde se incluem algumas das mais valiosas do Mundo, vê o país asiático como um potencial cliente e não como uma ameaça.

“Certamente que haverá parcerias entre empresas portuguesas e chinesas”, disse, uma vez que “os chineses reconhecem no ocidente um exemplo de qualidade”.

“Países com a fiabilidade que Portugal tem em termos de cumprimento de prazos de entrega e de qualidade no vestuário, efetivamente podem ser países em que a China vai apostar”, afirmou Rui Costa.

A Supercorte veste toda a equipa do pavilhão de Portugal na Expo 2010, em Xangai, e aproveitou a presença neste evento para estabelecer contactos na China.

Nas últimas semanas houve reuniões com empresas chinesas que podem vir a produzir os seus artigos topo de gama em Portugal, um outro encontro com um possível fornecedor, para além de outros contactos estabelecidos no mercado de vestuário de Xangai.

“Há empresas chinesas que querem criar parcerias com empresas portuguesas a curto prazo, para criação de marcas próprias com um posicionamento de mercado mais elevado. Aí precisam de um parceiro na Europa que produza essas peças”, papel que poderá ser desempenhado pela Supercorte.

A Supercorte ainda não tem relações comerciais com a China.

Apesar de lhe reconhecer importância, Rui Costa diz que “não é um interesse primordial: os contactos foram uma consequência da participação na Expo 2010”.

Para aquele responsável, “a barreira linguística é muito forte”.

O inglês ainda é desconhecido para muitos chineses, mesmo no ramo empresarial.

Seja como for, é indiscutivelmente um país a seguir com atenção e onde se notam transformações, observou.

“Para as empresas que efetivamente procuram preço, a China já não é um país tão apetecível como há cinco anos, porque cresceu muito rapidamente e vai continuar a crescer”, destacou.

“Há mesmo empresas chinesas que procuram produzir fora do país, nomeadamente no Vietname ou Bangladesh”, realçou ainda Rui Costa, apontando a mais-valia de Portugal.

“Vamos ser um país com cada vez menos empresas no sector, mas vamos ter muitos anos com várias firmas a trabalhar com qualidade para nichos de mercado e em produtos com valor acrescentado”, salientou.

A Supercorte emprega 160 pessoas em Meixomil, Paços de Ferreira, e tem um volume de negócios de cinco milhões euros por ano.

LUSA/JA

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

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