A “Invasão” Brasileira do Algarve

O Algarve (e o resto do país) está a ser “invadido” por brasileiros. São muitos e tendem a aumentar. Um sinal disso é o grande número de filhos de brasileiros (alguns já nascidos em Portugal) nas escolas primárias e secundárias. Outro é sermos atendidos, muitas vezes, nas lojas por brasileiros.

A meu ver, é uma boa “invasão”. Portugal, em geral, e o Algarve, em particular, necessita de emigrantes. Porquê? Fundamentalmente, por duas razões. Uma delas é termos poucos filhos. Isso leva, juntamente com o aumento da longevidade, a que média de idade seja, cada vez mais, elevada.

A outra razão é emigração de pessoas na flor da idade para outros países. Aconteceu mais durante a crise mas continua a acontecer. Para mais, são, frequentemente, pessoas muito qualificadas (por exemplo, engenheiros, médicos e enfermeiros). Encontram no estrangeiro oportunidades que não encontram aqui.

Essas duas razões levam a que Portugal esteja sobre pressão. Uma das áreas mais pressionadas é a segurança social, em geral, e o pagamento das reformas, em particular. Mais pessoas reformadas e menos a contribuir não é bom sinal. Se a tendência continuar a subir sempre, a segurança social tal como a conhecemos estaria em risco.

A “invasão” brasileira contribui para a boa “saúde” da segurança social. Na sua maioria são pessoas ainda com muito anos de trabalho pela frente. Os seus descontos contribuem para que a segurança social tenha um melhor futuro.

A vinda de estrangeiros para Portugal é uma solução entre várias outras. Outra, é termos mais filhos. Porém, isso não significa que qualquer imigração é boa para Portugal. De alguma forma, devemos ser esquisitos se pudermos.

Por exemplo, existe uma grande diferença entre a vinda maciça de brasileiros e, digamos, marroquinos. Os brasileiros misturam-se facilmente com connosco – falam a mesma língua e têm uma cultura semelhante. Assim, nomeadamente, fazem amigos e casam com portugueses.

Já com marroquinos a situação seria diferente. Não falam português e têm uma cultura e religião diferente. Julgando não estar a ser tendencioso, os marroquinos não se misturariam facilmente connosco. Provavelmente, ficariam à parte da comunidade nacional, no mínimo, durante várias décadas. Convenhamos, isso não é do interesse de Portugal, em geral, e do Algarve, em Portugal.

Não estou a dizer com isso que todos os brasileiros sejam “flores que se cheiram”. Pessoalmente, conheço muitos brasileiros e acho a maioria excelentes pessoas. No entanto, infelizmente, penso que um ou outro são umas “ovelhas ranhosas”. Alguns de nós, portugueses, são também, infelizmente, “ovelhas ranhosas”.

De uma forma ou de outra, necessitamos de em imigrantes. A “invasão” brasileira é, provavelmente, a melhor solução. Não me lembro de uma melhor. Isso, não quer dizer, de forma nenhuma, que não tenha problemas.

Ivo Dias de Sousa

*professor da Universidade Aberta – ivo.sous@uab.pt

2Comentários

  • Apenas por uma questão de semantica. A expressão relativamente às ovelhas está incorreta. A forma correta de referir essa especie de ovinos é ” ovelhas RONHOSAS” pretendendo com isto dizer que teem RONHA ou malandrice.

  • Que falta de rigor e lógica. Um argumentário tão pobre e pouco factual que lembra os textos escritos na primária… Senhor Ivo, PorData existe por alguma razão! Documente-se…

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