Algarve impedido de embarcar no sucesso dos cruzeiros

Previa-se que estivesse a funcionar a partir de outubro de 2020, após 16 meses de obras de requalificação. Mas, até agora, a intervenção reivindicada por autarcas e empresários para o único porto de cruzeiros da região, em Portimão, ainda não zarparam do papel. Enquanto isso, o ano passado foi “o melhor de sempre” para o setor dos cruzeiros em Portugal, com mais de 1,4 milhões de passageiros a visitar o país através dos portos nacionais. Mas a principal região turística do país ainda não embarcou neste crescimento: o Algarve representa apenas 2,5% do movimento total de passageiros a nível nacional…! O JORNAL do ALGARVE falou esta semana com a administração portuária e a presidente da Câmara de Portimão para perceber o que está a atrasar este “investimento essencial”

No verão de 2007, o turismo de cruzeiros já era uma grande ambição do Algarve. Porém, passados doze anos, a região continua a contar apenas com um porto, em Portimão, com condições para acolher navios de cruzeiros até 215 metros de comprimento, enquanto os navios de maior porte (cada vez mais utilizados pelas companhias internacionais) continuam a ficar fundeados ao largo da cidade. Desta forma, a maioria dos passageiros opta por não desembarcar – e gastar dinheiro – na região. E as grandes companhias internacionais optam por desviar as suas rotas para outros destinos.

Este é um problema que se arrasta há quase vinte anos, mas as obras previstas para o porto algarvio continuam emperradas. Já em 2007, o então presidente da Região de Turismo do Algarve, Hélder Martins, lamentava “a falta de uma visão estratégica para o potencial económico que o porto de cruzeiros de Portimão pode representar para o turismo nacional”, criticando, já naquela altura, o “significativo atraso” no arranque das obras de requalificação previstas para aquela infraestrutura, “que tem afastado um grande número de navios nos últimos anos”.

A verdade é que, desde então, quase todos os portos nacionais (Leixões, Lisboa, Setúbal, Açores e Madeira) foram alvo de avultados investimentos, nomeadamente com a criação de novos terminais de cruzeiros, e têm batido todos os recordes de escalas e passageiros, enquanto o Algarve continua estagnado neste setor.

Basta dizer que, em 2018, a indústria de cruzeiros registou um crescimento significativo no nosso país, com um total de 1.436.614 de passageiros – “o maior de sempre” – ultrapassando assim os 1.322.485 turistas que haviam visitado Portugal, por navio de cruzeiro, em 2017.

As principais companhias mundiais já manifestaram intenção de vir mais ao único porto de cruzeiros algarvio, mas só depois da conclusão das obras

Algarve fica a ver navios

A administração portuária realça que “este crescimento corresponde a um aumento de 9% e, para este resultado, contribuíram todos os portos nacionais”, mas a verdade é que os novos terminais de cruzeiros de Lisboa, Funchal e Leixões foram fundamentais para atingir estes números, batendo todos os recordes de turistas no ano passado.

Já Portimão – que recebe cruzeiros desde 2007, mas continua a aguardar uma intervenção de fundo – apenas contribuiu com menos de 37 mil passageiros em 2018 (71 escalas), o que, mesmo assim, representou um crescimento homólogo de 23% (embora esta subida tenha sido um reflexo do retomar da ligação de ferry entre o porto de Portimão e a Região Autónoma da Madeira, que corre agora o risco de ser “desviado” do Algarve para Lisboa)…

Leia a reportagem completa na última edição.

Nuno Couto

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