ALGARVE

CHUA está “a esforçar-se” para evitar fecho de urgências pediátricas

O Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) assegurou hoje que está a “envidar todos os esforços” para colmatar a carência de médicos pediatras nos hospitais da região, perante a iminência de as três unidades públicas hospitalares algarvias ficarem sem urgências de pediatria durante a noite já a partir de outubro. Portimão já não tem e Faro pode seguir-lhe o exemplo.

“No que concerne à escala de Outubro, já divulgada, mas ainda provisória, pois estamos a providenciar para que fique suficientemente dotada com médicos Especialistas de Pediatria”, afirma o Conselho de Administração do CHUA em nota enviada ao JA.

Em causa está uma carta enviada há dias ao Ministério da Saúde, ao CHUA e à Ordem dos Médicos em que os clínicos de pediatria – todos eles signatários do documento – chamam a atenção para a falta de médicos pediatras, que faz com que a unidade de Portimão não consiga já assegurar escalas de noite e a de Faro, ao que tudo aponta segundo os profissionais, se prepare para lhe seguir as pisadas.

Na missiva entretanto enviada ao JA, a administração do CHUA reconhece o problema mas diz-se empenhado em encontrar soluções, “nem só pontuais, mas, essencialmente, de fundo, para suprir a carência de recursos médicos, que é crónica e afeta tanto os profissionais, como, razão de ser da Instituição, os utentes. Temos vindo a intervir a todos os níveis e em contacto com a ARS Algarve e a tutela nesse sentido”, garante o conselho de administração.

Concretiza que essas tentativas de resolução têm passado por duas vertentes: por um lado, procurando junto dos Conselhos de Administração dos principais centros hospitalares do País, no intuito de obter reforços, por outro lado colocando anúncios na imprensa com o mesmo objetivo.

Por seu turno os 23 pediatras do CHUA subscritores do apelo dirigido aos órgãos dirigentes da Saúde e do Centro Hospitalar concretizam quais os problemas que os serviços enfrentam no hospital de Faro. Seis dos 13 pediatras que ali trabalham têm mais de 55 anos, isto é, alcançaram já o limite etário para dispensa de realização de trabalho no Serviço de Urgência.

“Dos 6 pediatras restantes, encontram-se neste momento 3 de atestado médico e os demais num estado de exaustão que brevemente poderá levar a que fiquem também indisponíveis. Deste modo, as escalas do Serviço de Urgência, têm sido preenchidas com recurso a profissionais tarefeiros, alguns especialistas em Medicina Geral e Familiar, outros médicos indiferenciados (sem especialidade) e até mesmo a internos do ano comum, isto é, sem autonomia médica. Os internos de formação específica são convidados, desde cedo, a chefiar a equipa de urgência, sem formação ou autonomia para tal”, enuncia um dos clínicos em carta enviada esta semana ao JA.

O Serviço de Urgência Pediátrico do Hospital de Faro recebe em média anualmente 41.253 episódios de urgência e 748 internamentos em unidade de internamento de curta duração, para além dos 940 internamentos em enfermaria.

“Tendo em conta que, devido à pandemia COVID 19 se tornou necessário assegurar dois Serviços de Urgência em paralelo (respiratórios e não respiratórios), para além do apoio a doentes emergentes e doentes internados, torna-se humanamente impossível e ultrapassa todos os níveis de desgaste humano o atendimento médico nesta situação, colocando em risco a população que necessita de cuidados médicos (tendo em conta que nos encontramos a mais de 300 Km de distância dos hospitais centrais de Lisboa) e os profissionais que lá trabalham”, concluem os clínicos queixosos.

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