Personagens psicopatas abundam nas novas séries

Quando eu era adolescente existiam muitos filmes e novelas, onde havia sempre uma ou duas personagens manipuladoras, e por vezes psicopatas. Considerava-se que para existir um desenvolvimento surpreendente da ação, mistério e interesse era necessário criar personagens com uma personalidade perversa.

Atualmente, nas séries e filmes modernos, especialmente, dos Estados Unidos, não existe só uma ou duas personagens manipuladoras, mentirosas, sarcásticas, quase todas têm esse perfil, ou seja, num dado momento da série todas apresentam essas características, com um bónus extra, também são psicopatas. O que significa que todas matam outras personagens sem qualquer remorso, como se fosse algo natural tirar a vida a outro ser.

Nalgumas dessas séries há personagens que desde o princípio demonstram possuir um perfil de personalidade manipuladora e agressiva, contudo, outros vão revelando-se pouco a pouco. Deste modo, as personagens que fazem parte do elenco principal são violentas, têm um conjunto de características negativas, típicas de terroristas, violadores e assassinos em série.

O que fica na retina dos adolescentes e jovens é que este tipo de comportamento e atitude é normal. Como se fosse natural matar outro ser humano, como se a vida humana não tivesse valor.
Estas séries e filmes demonstram que para ser bem sucedido vale tudo, todos os meios são legítimos para atingir os fins. Um desejo, um impulso, um capricho, uma ideia tem de ser concretizada custe o que custar, mesmo que implique matar quem está ao nosso lado. Tudo é justificável, desde que seja para obter o que nós queremos. Tirar vantagem sobre o outro, esconder conhecimento, mentir, trair, manipular, tudo é um recurso válido para concretizar o que se deseja, não interessa se é legítimo ou honesto, porque na verdade, o que estas séries passam para os seus fãs é que o outro é um inimigo. Os jovens começam a atuar na nossa sociedade como os personagens psicopatas das suas séries favoritas, e isso é muito perigoso.

Deste modo, coloco um desafio aos pais, avós, tios, aos mais velhos que estejam atentos e “desmontem” as personagens e elencos das séries favoritas dos vossos jovens para perceberem os perfis. Certamente, irão verificar que algumas séries incentivam ao egoísmo, à agressividade, à vingança, mentira, vaidade, fingimento, desprezo e conflito. O que significa que tentam intensificar nos jovens sentimentos negativos de ódio, vingança, raiva, morte, esquecendo os valores que os pais tentam ensinar de respeito, amor, carinho, amizade e tolerância.

Chamem os vossos jovens à atenção para estas armadilhas presentes nos filmes, séries e novelas.

Carmo Costa

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