Roubaram-me dois amigos

Começo por ti Amigo Domingos. Que murro no estômago f***-se… Ainda
há poucos dias encontrei-te e entre nós a conversa fluía, não fossemos nós dois habitantes de um “planeta” chamado comunicação! Falávamos pelos cotovelos… falávamos, mas em cada conversa contigo, até de 5 minutos,
eu saía mais rico, bem mais rico.

Como apreciava (não f*****-seeeeeeeee aprecio) a tua sensatez, a tua bagagem, o teu sentido de justiça. Como achava quase utópica a tua vontade de mudares esta merda de mundo que temos… A tua visão, muito peculiar, da política, fazia-me olhar para a mesma, com outros olhos… eras um sonhador …e eu junto-me a ti nessa luta.

Compartimos, igualmente, o sonho da rádio, uma das minhas paixões eternas. Quando eu subia os primeiros degraus, já tu entrevistavas
o vocalista dos UHF, como quem come batatas fritas! Eras e serás sempre dos melhores.

Eras um comunicador nato, organizado, metódico… epahhh…um craque! A tua polivalência era à prova de bala. Não fazias tudo mais ou menos… querias e fazias tudo muito bem.

Admiro-te amigo! Compartimos igualmente trabalho na ANAS… lembras-te? Do nosso estudo estatístico? Dos martinizitos antes do merecido
almoço?

Lembras-te amigo, quando nesses regressos, púnhamos ao dispor, de quem nos ouvia no carro, a nossa capacidade criativa e chorávamos, de tanto rir, com aqueles guiões de rádio teatro?

Hoje, quis-me fazer de forte e chorar só por dentro… sabes… ainda estou para saber quem foi o “filho da puta” que disse, um dia, que os homens não choram… tu mereces as minhas e todas as lágrimas de quem te vai admirar para sempre…

Mas estrava escrito em algum lado, que hoje, seria a dobrar… Ainda às voltas com a despedida, sem aviso, do nosso (também teu) amigo Domingos… Informaram-me da tua partida…

Encontrei-te um dia destes no supermercado … e toquei-te no ombro… estavas de costas … amigo Pessanha… então tudo bem? – perguntei… e tu, viras-te pra mim, literalmente, e com essa tua valentia, essa teu ar quase poético, respondes-me …”epahhh nem por isso… tenho aqui um bicho que quer dar cabo
de mim… mas eu vou dar-lhe luta”.

Vi ali, naquela imagem, como a luta estava a ser desigual, mas tu ias lutar… e lutaste até ao fim. Foste outro amigo da Rádio, outro amigo na vida e sabes… digo-te de coração aberto…Quis o destino que um dia, eu entrasse na rádio e tivesse o privilégio de conhecer um “planeta” habitado por gente “estranha”, por gente fantástica, e por gente, que em cada partida, deixa-nos muitoooooooooooo mais pobres… Até sempre Amigo Pessanha!

Ricardo Gutierrez
Texto publicado no facebook

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