OPINIÃO

AVARIAS: É a vida

Fernando Proença
OPINIÃO | FERNANDO PROENÇA
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“Dr. Centeno (serve alguém com cargo ministerial ou similar), no final quem vai pagar a factura, são os portugueses?”. Ouvi fazer esta pergunta, referindo as despesas inerentes ao problema como o que temos entre mãos, ao ministro Centeno a António Costa e ao restante pessoal da Direcção Geral de Saúde. Vi e ouvi na RTP na SIC e na TVI, só para não andarem a dizer que tenho interesses. Eu, que não costumo pensar que os políticos devam de andar de rédea solta, até eu, senti que existem formas de fazer e dizer as coisas que nos provem que o slogan “estamos todos juntos”, não é uma mentira pegada. Todos sabem do que o Estado é capaz: podemos dizer que os portugueses, nós, somos assim, mauzinhos uns para os outros, chicos espertos, ciumentos e interesseiros, aldrabões de meia tigela (o que temos de bom fica para depois, não cabia no que resta desta página), mas os políticos e o seu prolongamento o Estado, tinham a obrigação de ser um bocadinho melhor que os restantes. Mas percebe-se (se calhar desde sempre) como isso é, por norma, se não mentira, pelo menos não completamente verdade. Uma coisa é perguntar (e perguntar e perguntar, que o serviço informativo deve-se aprimorar quando existem indícios de que alguma coisa vai pior do que devia) ao Secretário de Estado do Desporto, se aquilo que pensamos poder ter sido possível – usar a posição política que se tem para tirar proveito económico, para si ou pessoa próxima – o foi, outra coisa é espingardar com os políticos sobre quem pagará a conta da crise: se não somos nós a arcar com as despesas quem o será? Os espanhóis, os alemães, os gregos? O que querm realmente saber os jornalistas? Aqui pode entrar a história dos eurobonds ou lá como se chama, mas isso serão contas de um outro rosário.


A história da esquerda, o seu desnorte e a perda de influência junto dos que deveria defender também se faz com histórias como a do 1º de Maio e agora a Festa do Avante (se falamos no PCP falamos em questões de fé. Se são proibidas as celebrações de Fátima, porque foi autorizada a sessão norte-coreana da Alameda e a frequência da igreja do Seixal?), que já dá chatice a cinco meses de distância. Fontes bem informadas afirmam, a pés juntos, que tudo se trata da factura que António Costa teve que pagar pelo controle que fizeram (o PCP) perante alguma (in)justa luta dos trabalhadores, que podia ter dado mau resultado. Mas a verdade é que no fundo somos uns gajos bem-comportados, porque Costa continua a subir nas sondagens. Além disso, a moeda de troca (Costa dá alguma coisa em troca do que Jerónimo de Sousa já fez) é tudo menos um postal ilustrado do que devia ser uma justa reivindicação dos excluídos da sociedade: uma festa e uma manif sabem a muito pouco. Por estas e por outras é que muita malta se passa e acaba, por exemplo, a votar no Chega.

Fernando Proença

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