AVARIAS: Mais Verão

Fernando Proença

E continuam os fogos, as transferências de jogadores e as barracas variadas da classe política. O melhor, ou talvez dizendo melhor, a questão verdadeiramente explosiva, seria uma mistura entre todos estes aspectos. Como se um jogador se tivesse transferido, sob a alçada (e o lucro) de um empresário, que fosse em part time, político (presidente de uma junta de freguesia) e empresário do ramo (é uma força de expressão) da silvicultura. Depois saberíamos que o jogador era primo de um incendiário que tinha pegado fogo junto às terras do empresário e político, só para dar uma sova (novamente uma força de expressão), no dito empresário que, contra todas as evidências, não o grama, nem à lei da bala. Um argumento desses, sendo o ideal, tem muito poucas hipóteses de vingar: os políticos são, calei da vez mais, iguais uns aos outros, as barracas que dão (que incluem despistes vários e pequena, média e grande corrupção). Os jogadores (e provavelmente os empresários) mais parecidos ainda. Lembro-me de, há uns anos, um futebolista inglês (inteligente e supostamente muito capaz de pensar pela sua cabeça) ter dito numa entrevista, em que lhe perguntavam a opinião sobre a razão que leva a que todos os futebolistas repitam os lugares comuns, “temos que levantar a cabeça”, “não atiramos a toalha ao chão”, “agora é continuar a trabalhar, par atingirmos os nossos objectivos”, tudo não passava de necessidade profissional. Para o jogador em causa, se algum futebolista tem a veleidade de se afastar da bíblia, com opiniões bissextas e alternativas irá assistir ao desprezo progressivo do chamado “balneário”, que culminará com o seu esquecimento. Tudo isto parecer-lhes-á, aos meus quatro leitores, muito preto e branco, muito sim ou sopas, mas, ainda assim, o que sustenta o seu modo de vida. Agora, depois dos jogadores de futebol, ainda aguentamos com os políticos, menos genuínos e de uma ambição que, desculpem os meus amigos, cada vez mais repugna; a rábula das golas para proteger do fumo, tem todos os ingredientes, para dar errado. Primeiro, feitas de um material inflamável e não deviam. Depois o custo; parece que foram acertadas por um preço que é o dobro do praticado normalmente, descobrindo-se ainda (que surpresa!!) que a fábrica que as faz é de propriedade da mulher de alguém ligado à cúpula do PS. Parece que todos os piores pesadelos que nos podem passar pela cabeça, estão reunidos num só assunto: a sério, que só faltava que os supostos incendiários das matas de Mação fossem militantes social-democratas (convenientemente com quotas em dia…) e que os fornecedores dos apitos para os kits oferecidos pela protecção civil, fossem propriedade da mulher de um dos famosos amigos de Sócrates. Mais uma vez a mistura explosiva de incúria, incompetência e compadrio que não conhece partidos nem padrinhos. Só se salva o “Avarias”.

Fernando Proença

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