OPINIÃO

Avarias: Teorias

Fernando Proença
OPINIÃO | FERNANDO PROENÇA
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Sei que algo mais surreal que os jogos de futebol virtual, transmitidos pela televisão, não devia existir, mas hoje descobri o ovo de colombo desta sub-secção do século vinte e um (em época de COVID) e que se chama a Volta a França Virtual. Para encher, os canais que costumam transmitir a volta, agora descobriram mais uma treta que consiste em acompanhar um grupo de ciclistas que não são ciclistas, em cima de bicicletas que não são bicicletas por terras de França que não é França e a locução não de uma, mas duas pessoas, que no caso vertente são pessoas. Se passam isto, é porque alguém vê o que talvez diga alguma coisa sobre os telespectadores que, hoje, perdem o seu tempo frente à TV.

Dizia então que estava frente à TV quando descobri, que Joana Amaral Dias estava como convidada de um dos programas da manhã. E não é que no rodapé (um dia, alguém há-de fazer um estudo profundo sobre as consequências dos rodapés nos programas de informação, sobre a vida sexual das baratas) se lia que a dita convidada tinha sido, durante muito tempo, incomodada por um stalker. Stalker é a palavra inglesa que designa perseguidor, alguém que vai atrás de outro alguém, para todo o lado menos para a Moita, como se dizia nos tempos antigos. O caso com Joana Amaral Dias vem de trás, já o vi por aí pespegado num jornal ou programa de televisão, mas atenção que agora estamos em presença de um stalker, que sendo um perseguidor não o é, para as nossas televisões, na rota da maluqueira que nos ataca nos tempos que correm: a de substituirmos palavras portuguesas por outras (sempre do universo anglo-saxónico), que dizem exactamente a mesmíssima coisa só que em inglês que parece sempre mais complexo, mas não o é.


Existe muita literatura sobre bules de chá e a incapacidade que, em geral existe, de não se conseguir encher uma chávena sem derramar um bom bocado na mesa. Até se lembra que o Homem, que já enviou homens à Lua não consegue fabricar um bule que não verta (provavelmente são fábricas distintas). Seguramente que o que serve para os bules pode ser adaptado às embalagens de protector solar. Ao tempo que existe sol, praia e protector, alguém já se devia de ter lembrado em fabricar uma embalagem, que, a partir da segunda borrifadela, se consiga segurar, sem precisar de termos a impressão de estarmos a jogar ao pau de sebo, numa feira medieval. É que, ainda por cima se precisar de fazer força para acionar o tal borrifo, o que complica ainda mais as coisas, vamos precisar do apoio de alguém. Existe uma solução, a de passar a mão por um bocado de areia da praia, antes de clicar, mas convenhamos que existem formas mais fáceis de passar um camelo pelo buraco de uma agulha.

Fernando Proença

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