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OPINIÃO

Avarias: Um coelho e a justiça como ela é

OPINIÃO | FERNANDO PROENÇA

Com ou sem COVID lá se passou mais uma Páscoa. Parece o início de uma redacção (composição, nos tempos de hoje, se é que o Eixo da Terra mantém ainda a inclinação em relação à perpendicular e não se inventou outra designação para o mesmo efeito) dos tempos de antanho, sobre tudo, mas incidindo especialmente na forma como se aproveitou “as minhas férias” – um clássico – a “vaca” (modo de usar. A vaca dá-nos a pele e o leite…) e “A minha mãe é…”, tema cada vez mais candente nestes tempos.

Nesta data e de um modo geral, os canais de televisão voltaram a privilegiar os filmes família, mas a verdade é que deve ter decrescido ultimamente a produção sobre a Páscoa, porque não é fácil encontrar novidades, mesmo andando a fazer zapping como se não houvesse amanhã. É verdade que me resulta indigesto ver romanos e cidadãos (ainda não o eram, mas o artigo fica com um ar mais finório) da Galileia a falar inglês como se fosse malta de Manchester ou Los Angeles em férias na Palestina, mas até uma produção dessas viria bem, no meio de tantos filmes sem jeito nem trambelho, muito mal legendados, em que existe uma conspiração para matar o presidente dos Estados Unidos ou sobre universos distópicos.

Os grandes clássicos “Ben – Hur”, “Dez Mandamentos” ou “A vida de Cristo”, aparentemente já renderam o que podiam e agora só com um novo olhar (leia-se novas cópias/novas versões) entrarão nas escolhas. A solução seria alguém fazer um “Sozinho em casa”, versão filmada entre Março e Abril em que os meliantes acabam presos por um coelho da Páscoa, parecido com os que servem para a publicidade de uma determinada grande superfície.


Escrevo enquanto ouço, pela enésima vez, José Sócrates a dizer aos jornalistas que era tudo uma cabala, apesar de o fazer – desta vez – com outra palavras. A minha pergunta é: mas alguém, no seu perfeito juízo pensaria que as coisas seriam muito diferentes? Porque é que digo isto? Foi um passarinho que mo confidenciou que sabia como é possível enriquecer-se da noite para o dia sem ter ganhado o Euromilhões, fintando meio mundo e não deixando rasto.

Num dos programas da noite, que se seguiu às declarações do Juiz Ivo Rosa, alguém que não consigo precisar, afirmou que a partir de agora, ser arguido e apanhar os juízes Ivo Rosa ou Carlos Alexandre era uma espécie de roleta russa da justiça. Os dois parecem ter uma ideia sobre validade da prova que são a noite e o dia e isso pode fazer toda a diferença. Se há sorteio entre Ivo Rosa e Carlos Alexandre, então muito cuidadinho com o computador onde o fazem, porque vamos ter muita gente a trabalhar na darknet. O melhor era arranjarem uns meninos como os que em Espanha tiram as bolas para a lotaria. Era mais simples e mais seguro. Ou não.

Fernando Proença

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