CARLOS LUÍS FIGUEIRA

 Vai Andando Que Estou Chegando

 

O indecifrável discurso de Cavaco quanto às soluções que preconizou para a crise que o País atravessa desemboca agora num adiar de decisões em torno de um jogo de sombras que nem os mais optimistas e defensores das escolhas do Presidente acreditam. Ou seja, poucos com um mínimo de sentido de responsabilidade, esperam que desta negociação partidária saia algo de útil atendendo às posições assumidas pelo PS perante esta governação e o seu projecto político. Neste impasse perde o País e a credibilização do sistema político.

 

Percebe-se, mesmo que tosca, a proposta de Cavaco: manter a austeridade (o que significa cortes em salários e pensões, despedimentos no sector publico e redução das prestações sociais) a mando do capital fictício representado pelos interesses em torno do sector financeiro que a Troika e o comando actual da União Europeia defendem; atrair o PS para soluções que amenizem a derrota da direita em futuras eleições envolvendo-o num compromisso contrario a todas as posições até agora assumidas; salvaguardar a sua imagem por demais distorcida e desprestigiada pelo compromisso assumido de ter levado ao colo este governo.

 

A confirmar-se este cenário, o destas negociações interpartidárias com a presença do PSD, CDS/PP e PS resultarem em nada, como é de todo previsível, restará a Cavaco talvez a tentativa de criar o chamado governo de ” salvação nacional “. Ora nem Cavaco como uma espécie de sargento (e tenho o maior respeito pelos sargentos) terá disponível qualquer furriel que a seu mando se disponha a tal disfarce, pela circunstância do seu prestígio, como Presidente da República estar de tal forma reduzido e daí, sem margem de credibilidade suficiente para aglutinar quem quer que seja em torno de uma proposta que desde inicio só acrescentou crise à crise, como aqui há uma semana identificamos e que pelos vistos acolhe hoje um alargado campo de identificação, o que a ser tentado, resultará em novo fracasso e no aprofundamento da crise política.

 

Em tal contexto a moção do Partido Os Verdes de censura ao Governo teve a virtude de atrair o PS para um voto favorável o que em abono da verdade deixa Jerónimo de Sousa com as mãos nos bolsos, face aos contínuos ataques ao PS. Mas não deixa de descentrar o centro da crise e das soluções para um campo que não é o que se me afigura mais adequado, dando subjetivamente um espaço à direita e ao centro direita para respirarem do sufoco em que se entram. Porque o centro da solução da crise em que nos encontramos só pode ter saída digna para o País e para o regime democrático com a rápida realização de eleições antecipadas para a Assembleia da República.

 

É nessa perspectiva que tem lugar o chamado Governo de Salvação Nacional. E para que as palavras não se gastem direi que mesmo na imponderável situação do PS obter em tais eleições a maioria absoluta, defendo que tal governo então legitimado pelo voto dos portugueses, com a credibilidade que afasta Cavaco de qualquer solução senão a de respeitar a vontade dos portugueses expressa em urna, deve incorporar gente capaz e prestigiada para além das fronteiras do PS, governo plural atraindo à esquerda e ao centro direita gente disposta a servir da melhor forma o País na difícil crise em que nos encontramos. Porque faz toda a diferença esta solução ser dirigida por um partido de centro esquerda como o PS em resultado de eleições ou de ser capitaneada por Cavaco e o centro direita em manobra politiqueira.

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