CRÓNICA DE FARO: Das 10 de há 30 anos às 3 mil de hoje…

Opinião de João Leal

Brilham, de modo próprio, nestas noites dezembrinas, com o anúncio vivo e esperançoso de que, tal como o texto bíblico “ao princípio era a luz…”. Efectivamente a 1 de Dezembro de 1985, trinta anos já volvidos nesta acelerada voragem d tempo, dois homens que não unidos apenas pela carreira militar, mas pelo quer e crer intrísecos de algo fazer em prol dos outros irmãos seus irmãos, de modo próprio focando os seus pensamentos, gestos e corações, naquilo que o poeta definia como “o melhor do mundo”, as crianças.

Naquela efeméride, para todo o sempre assinalada como um campo em que o Algarve mostrou ao mundo como agir em favor de “quantos buscam o calor único de um colo e o coração incontido de um tecto, uma família e uma vida, os coronéis eng. Aboim Ascenção de Sande Lemos, um farense aqui nado e orgulho desta Terra-mãe, saudosamente já falecido e dr. Luís Gonzaga Rebello – Marques Villas Boas, nascido em Viana do Castelo, mas com pleno direito pela gratidão que lhe é devida ao estatuto de farense de alma e coração, acendiam uma fileira de 10 lâmpadas na Casa “Cor de Rosa”, no vulgo e desde 1932 Refúgio Aboim Ascenção, iniciando aquilo que hoje é um acto marcante no calendário anual algarvio.

Volvidas três décadas as quase cem crianças, que ali encontraram “um colo e um lar”, um tempo de materno acolhimento, enquanto a desejada esperança de ter verdadeiros pais se não concretiza, assistem a este festivo esplendor de três mil lâmpadas de todas cores, num acontecido sonho de fantasia e de realidade, anunciando “urbi et orbi” (à “cidade e ao mundo”) que o Natal está aí, junto a todos nós, na derradeira caminhada para um mundo que importa seja bem melhor e onde não aconteçam (“mas as crianças, Senhor…” – já o clamava Augusto Gil na sua lírica contagiante).

As velhas “árvores do Refúgio” assistem, também elas orgulhosas, num orgulho onde se fundem amor, dedicação e querer a este “suave milagre” que é a obra de dois homens generosos, um ao lançar as bases, no tempos primeiros dos anos 30 do século XX, do que já sucedera em Lisboa e outro ao assumir, o que é o “bom combate”, mais belo e generoso, mais fraterno e de vocação, que por aqui hemos.

Todos os dias, a todas as horas de todos os dias, vinte e quatro horas em cada dia, o Natal acontece, agora testemunhado pelas três mil lâmpadas que na “Casa Cor de Rosa” (quando teremos a “Emergência Infantil” a existir em todo o território português?) nos acenam como que a generosamente desejar: “Feliz Natal!”.

João Leal

Nota: O autor não escreveu o artigo ao abrigo do novo acordo ortográfico

 

 

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