CRÓNICA DE FARO: “Anais do município de Faro”, 50 anos

joão leal

Realiza-se no sábado, dia 26, a partir das 15h30m, no auditório da Biblioteca Municipal António Ramos Rosa, a sessão pública de lançamento do 46.º volume dos «Anais do Município de Faro», que assim atinge o meio século de nobilitante publicação, constituindo aquilo que, na sua globalidade, hemos por definir como um verdadeiro monumento intelectual à história da «Cidade das Três Civilizações».

Para além do pleno significado que a efeméride em si mesmo comporta, inclusive para a validade da candidatura a «Capital Europeia de Cultura», em 2027, hemos que destacar o facto de o ato constituir uma pública homenagem ao seu último diretor, o sempre lembrado Professor Doutor Joaquim Romero de Magalhães, falecido em Dezembro último e que vinha dirigindo os «Anais» desde o ano de 2009. Eminente figura da intelectualidade nacional este saudoso louletano, dileto filho do «algarvio nascido no Porto», o Dr. Joaquim Peixoto de Magalhães e da insigne pianista D. Célia Romero, também natural de Loulé, desenvolveu intensa atividade nas áreas da investigação histórica, da educação e do ensino (professor da Universidade de Coimbra e Honoris Causa pela Universidade do Algarve), do associativismo (Presidente da Associação Académica de Coimbra, nos difíceis anos sessenta do século XX) e da vida pública (Secretário de Estado e outras elevadas funções).

Com dedicação, empenho, querer e saber, dirigiu com meritória maestria os «Anais do Município de Faro», constituindo os mesmos, como afirmado o foi «um lugar de destaque no panorama nacional e um repositório das mais recentes investigações sobre a história do concelho e da região e um veículo privilegiado na divulgação dos trabalhos da autoria de investigadores especialistas nas suas diversas áreas», a par de «um valioso registo de Memória de uma Comunidade que, ao longo dos séculos, tem afirmado a sua singularidade e a sua riqueza refletida num importante património material e imaterial».

Foi este mais um serviço da autarquia, ao tempo (1969) presidida pelo Major João Henrique Vieira Branco e graças à persistente e notável ação desenvolvida por essa destacada figura da historiografia algarvia, o lembrado académico professor José António Pinheiro e Rosa nas suas funções de responsável pelos museus e biblioteca municipais. Seguiu-se, com reconhecido empenhamento, na direção desta, ora cinquentenária publicação, o Doutor Libertário dos Santos Viegas. Há que fazer, com toda a justiça, uma meritória referência à dedicação, valia e labor desenvolvidos, nos últimos anos, pela Dra. Elsa Vaz (técnica superior da Câmara Municipal de Faro). Na sessão, em que atua o Coral Ossónoba, será palestrante o Historiador Álvaro Garrido, Professor Associado da Universidade de Coimbra.

João Leal