CRÓNICA DE FARO: “José Barão, uma saudade e um testemunho de vida, sempre presente!”

Se no quotidiano tem uma frequência diária e pelas mais variadas razões, Agosto em fora, este “Agosto Azul”, tão avassaladoramente presente no legado literário do algarvio Texeira Gomes, adquire uma tonalidade plena do Meio Dia, em saudade, em gratidão e em lembrança. É o mês em que se vive fosse e bom seria para todos e em especial para a sua e nossa querida região sulina, Mãe que pela opção temos (recordo outro algarvio, pedagogo e poeta, João de Deus – “que a terra onde se nasce é mãe também…”), o insigne jornalista algarvio e dos maiores que esta Região conheceu faria o seu aniversário natalício já lá vai mais de uma centena de anos, numa modesta casa da Cidade do Iluminismo e bem cedo rumou a uma vida plena. A vocação jornalista surgiram, quando de “bibe e calção” percorria as ruas vilarealenses e com uma concretização, aos 14 anos, surgia o primeiro periódico por si dirigido, com esse título bem sugestivo de “Os Novos”. Depois foi uma vida de trabalho insano, de esforço, diário e sempre, mas sempre animado pelos grandes ideais da democracia e da liberdade que até à hora da morte professou. Em 1957 concretiza, com um grupo de amigos de peito vindos da infância, aquilo que consideramos hoje o maior monumento vivo à honrada memória de José Barão, o semanário “Jornal do Algarve”, o seu “Times” como carinhosamente e com desvelado orgulho se lhe referia. Tinha para o mesmo e como objetivo maior do periódico livre (com as restrições próprias da Censur, que tantos dissabores e sacrificios lhe causaram) e independente, apenas e só e tanto era e é, servir o Algarve. Queria um “Times” que fosse a porta-voz, o órgão e o grito audível e respeitado de toda a “terra do sul e do sol”. Para tal criou a Delegação em Faro, capital regional e preparava-se para abrir outra congénere em Portimão, no sentido da cobertura plena de todo o rodapé português. José Barão, a quem tal como a sua Esposa, D. Ana Baptista Barão, sua companheira de toda uma vida, prestamos, uma vez mais o testemunho da nossa gratidão e saudade nesta data aniversariante, foi um cidadão vertical, servidor da comunidade (Casa do Algarve, Sindicato dos Jornalistas, Casa da Imprensa e tudo o que fosse de justiça e de direito) e um homem que, como poucos no decurso do século transato amou e serviu o Algarve Nata, como poucos o houve. Na pessoa de seu filho, o antigo jornalista António Barão, saudamos a honrada memória de seus lembrados pais. Na pessoa do Dr. Fernando Reis, dedicado Diretor de “Jornal do Algarve” o nosso testemunho por dar concretização ao último ensejo proferido por José Barão, na Casa de Saúde, nas Amoreiras (Lisboa), onde agonizava – “Não deixem morrer o Times…” E aqui continuamos nesta trincheira em prol e pelo Algarve, com José Barão sempre presente!

João Leal

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