CRÓNICA DE FARO: O “Copo cheio”

joão leal

É meramente figurativo, mas de real sentido, o título deste escrito e surgiu por sugestão, em família, no decurso da análise a um problema citadino que ora voltou a ser notícia. Foi-o porque o concurso desta obra camarária aberto em Dezembro de 2018 ficou deserto por «desinteresse dos empreiteiros».
Trata-se da velha questão da duplicação da faixa da ponte de acesso à Praia de Faro, que se arrasta desde os idos de 2008 quando se iniciou a discussão sobre o projeto de alargamento da referida via, surgida nos inícios dos anos 50 do século passado, concretizando o ensejo de a terra (Carga de Palha) passar sobre a Ria Formosa e chegar ao cordão dunar.

Segundo notícia emanada do município o projeto vai ser reformulado no sentido de atrair empresas de construção deste sector que tinha, anteriormente um valor de 3,5 milhões de euros, dos quais só cerca de um milhão no que aos pilares de sustentabilidade se refere.
E aqui começa a análise do «Copo Cheio» considerando-se como tal a praia, que já foi ilha, com «lotação esgotada» neste tempo estival, o que configura que provocando o acesso de mais viaturas o teremos a transbordar, situação que em muitos períodos já acontece.

Não referindo questões ambientais de sustentabilidade face à fragilidade das ilhas barreiras, matéria em que somos leigos, parece-nos, contrariando o aceitável ensejo de muitas e vastas opiniões contrárias que sabemos existem e respeitamos, que a nova ponte reformulado deve também ser repensada face a fatores múltiplos. De entre estes apontamos a situação financeira de uma câmara municipal que sempre conhecemos a enfrentar dificuldades económicas e que ora, verdade se diga e se louve tal gestão, conheceu uma notória recuperação. Mas são à volta de 3,5 milhões de euros que bem podiam ser aplicados no suprir de carências múltiplas que o concelho enfrenta.

Por outro lado não há que olvidar soluções existentes como o que se refere, a montante, ao parqueamento e a uma maior facilidade no que aos acessos concerne, quer por via marítima como rodoviária com mais e melhores carreiras e preços mais acessíveis.
Parece-nos que o «Copo Cheio» (Praia de Faro) já o está demasiado para querermos «meter o Rossio na Betesga».

João Leal

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