Em Portugal doenças respiratórias não covid matam 36 pessoas por dia

As doenças respiratórias continuam a ser uma das principais causas de morbilidade e mortalidade, não só em Portugal como também a nível mundial. Em 2018, estas doenças foram responsáveis por 13.305 mortes em Portugal. Ainda que a maioria possa ser prevenida ou tratada através de intervenções economicamente acessíveis, o ONDR explica que não tem havido uma redução da sua prevalência. No entanto, a mortalidade por doença das vias aéreas inferiores, tuberculose e asma diminuíram nas últimas décadas.

Já a pneumonia foi um uma das doenças respiratórias que mais matou, tendo sido responsável por 5.799 mortes em 2018, e é causa de um número crescente de internamentos hospitalares. Além disto, em Portugal, ano após ano, as taxas de mortalidade por pneumonia em Portugal são das mais elevadas dos países da OCDE.

O tumor maligno da traqueia, brônquios ou pulmão, o quarto tumor maligno mais incidente em Portugal e um dos mais letais, representou 3,8% do total de mortes em Portugal.

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) continua a ter uma expressão importante na morbilidade e mortalidade por doença respiratória, representando 2,5% da mortalidade em Portugal no ano de 2018 (2.842 mortes), o que correspondeu a um aumento de 7,9% face a 2017. Entre 2011 e 2019, o número de utentes com problemas ativos de asma e DPOC nos cuidados de saúde primários aumentou cerca de 182% e 152%, respetivamente. Em dezembro de 2019, existiam 316.578 e 137.774 doentes com estas duas patologias em acompanhamento nos cuidados de saúde primários.

O tabaco continua a ser um fator de risco para esta e outras doenças respiratórias. Em 2017, 17% da população com 15 anos ou mais era fumadora, uma redução de 3% face a 2014. Ainda assim, é expectável que o número de doentes com DPOC cresça nos próximos anos. Deu-se um aumento de ex-fumadores, mas os jovens continuam a iniciar-se nesta dependência. Em 2019, nesse grupo populacional, a percentagem de ex-fumadores era de 21,4%.

Foi ainda analisada a síndrome de apneia obstrutiva do sono (SAOS), tendo-se verificado um aumento da sua prevalência, com estudos que apontam para SAOS moderada a grave na ordem dos 23,4% nas mulheres e 49,7% nos homens. O único estudo realizado em Portugal estimou uma prevalência de SAOS de 0,89% na população com 25 ou mais anos. Esta prevalência menor do que a estimada noutros países pode revelar um subdiagnóstico desta condição clínica no país, o que pode ser explicado pela escassez de laboratórios de sono e de especialistas em medicina do sono.

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Estas doenças acarretam um peso significativo para a sociedade, que resulta da soma dos custos relacionados com a utilização dos serviços de saúde, as perdas de produção em resultado da doença e a redução da qualidade e anos de vida sofrida pelos doentes.

O peso económico das doenças respiratórias em 2019 representou uma perda de valor de cerca de 3,5 mil milhões de euros, sendo que o aparecimento da covid-19 alterou radicalmente o impacto económico destas doenças e, relação a outras com um peso mais significativo. Estima-se que em 2020 a pandemia terá provocado uma perda de valor superior a 37 mil milhões de euros.

José Alves, pneumologista e presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão, explica que “observou-se que durante os meses de pandemia analisados (março a maio de 2020) ocorreram menos internamentos por doenças do aparelho respiratório do que o previsto anteriormente, com uma redução média nacional de 50%. Os ambulatórios tiveram uma redução de 84%.  A justificação para esta diminuição não é conhecida, sendo que poderá estar relacionada com um melhor atendimento, a diminuição da poluição sentida, a melhoria da autogestão de doenças crónicas proporcionada por um receio de contrair a covid-19”.

“No entanto, a Ordem dos Médicos revela uma quebra de três milhões de consultas durante o mesmo período. O Observatório reforça a importância de se perceber num curto espaço de tempo se esta diminuição poderá levar a um atraso em diagnósticos ou ao aumento de pessoas com doenças em estado mais avançado”, conclui José Alves.

O relatório reforça ainda a existência de vacinas contra as doenças respiratórias que têm um impacto importante na redução da morbimortalidade em Portugal, destacando as vacinas contra o Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e Bordetella pertussis como as mais relevantes no contexto atual.

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