“Reduzir salários da função pública seria atirar crise para cima da crise”

O líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã disse, segunda feira à noite em Viana do Castelo, que a proposta do economista Ernani Lopes de diminuir os salários da função pública seria “atirar crise para cima da crise”.

Em declarações à Lusa, no final de um comício que realizou na Praça da República, Louçã frisou que ao dar voz ao ex-ministro Ernani Lopes, que foi o responsável em 1983 pela retenção do subsídio de Natal, o PSD mostra que “reforçou as posições mais à direita”.

“As respostas que o PSD deu nas suas Jornadas Parlamentares mostram, também, que se degradou a capacidade de alternativa”, defendeu Louçã, frisando que as propostas de descida de 15 a 30 por cento dos salários da função pública e de mais austeridade, “apenas agravam a crise”.

“A austeridade agrava a crise, esta agrava o desemprego e este agrava a austeridade e temos então um efeito de bola de neve permanente e todas as medidas exigem mais medidas, mais graves ainda”, sustentou.

Na sua alocução aos presentes, Louçã lembrou que o Presidente da República declarou que o euro se vai manter, apesar das previsões negativas de alguns economistas, mas frisou que, para tal, é necessária uma nova política, centrada no combate à recessão e ao desemprego.

O líder do BE lembrou as propostas que o partido tem vindo a apresentar para relançar a economia, nomeadamente as medidas de política fiscal, a defesa da clareza das contas públicas, a mobilização para a criação de emprego, a criação de projetos de investimento público de qualidade, e a recusa de privatizações.

O dirigente do BE regozijou-se, ainda, com o facto de vários partidos da esquerda europeia terem decidido, segunda feira, apoiar as manifestações sindicais previstas para a Europa em 29 de setembro, exigindo políticas de efetivo combate à crise.

Louçã frisou que a participação portuguesa depende da CGTP, adiantando que o Bloco está disponível para apoiar a iniciativa, “procurando dar-lhe uma dimensão europeia”.

Apoiaremos greves gerais, mobilizações e todas as lutas populares que surjam neste contexto”, garantiu, dizendo-se esperançado em que haja grandes manifestações que demonstrem que há um povo europeu que quer defender a Europa contra a recessão económica e a desagregação”.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

Lusa/JA

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