Guadiana volta a ser navegável

Esta via atravessa três concelhos – Vila Real de Santo António, Castro Marim e Alcoutim – e viaja por dezassete localidades até chegar à vila de Mértola

Esta via atravessa três concelhos – Vila Real de Santo António, Castro Marim e Alcoutim – e viaja por dezassete localidades até chegar à vila de Mértola

O rio Guadiana vai voltar a ser navegável entre Mértola e Vila Real de Santo António, anunciou esta sexta-feira, no Pomarão a ministra do Mar. O projeto vai custar seis milhões de euros e deverá ficar concluído em 2021.

“É um dos
investimentos mais emblemáticos do Ministério do Mar”, porque “promove a navegabilidade do Guadiana” e, simultaneamente,
“o desenvolvimento de toda a zona abrangida”
, afirmou Ana Paula
Vitorino, aos jornalistas, no final da cerimónia de assinatura do contrato da
empreitada de desassoreamento e assinalamento marítimo para permitir a
navegabilidade do troço internacional do rio Guadiana entre Alcoutim e o
Pomarão.

A empreitada, que está orçada em
611.925 euros e corresponde à terceira fase do projeto, vai ser consignada ao
empreiteiro e começar “ainda este mês”, deverá durar três meses e “em outubro,
em princípio, estará concluída”, disse a ministra.

No âmbito do projeto, a cargo da
Direção Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM),
lembrou, já foram executadas duas fases, que permitiram tornar navegáveis duas
zonas internacionais do Guadiana, a área entre a entrada da barra de Vila Real
de Santo António e a ponte internacional e o troço entre Vila Real de Santo
António e Alcoutim, no Algarve.

Segundo a ministra, o troço entre
Pomarão e Mértola “é mais complexo” do que os anteriores dos pontos de vista
geológico e ambiental, por estar “inserido numa zona protegida do Guadiana” e,
por isso, a preparação da empreitada “vai demorar um bocadinho mais”.

“Esperemos que corra bem” e, assim
que houver a declaração de impacte ambiental, “naturalmente que a DGRM lançará
o concurso público para realização da empreitada” no troço entre Pomarão e
Mértola, afirmou Ana Paula Vitorino, referindo que se prevê que todo o projeto
“esteja concluído até ao final de 2021”.

Através do projeto, “estamos a
fazer um investimento total de cerca de seis milhões de euros”, que, além das
empreitadas de desassoreamento para garantir a navegabilidade dos troços,
inclui trabalhos de recuperação de pontos de contacto e pequenos acessos ao rio
entre Vila Real de Santo António e Mértola, num investimento de 2,5 milhões de
euros, precisou a ministra.

O
objetivo da recuperação de pontos de contacto e acessos é “permitir um melhor
acesso ao rio, mas também um acesso mais digno, mais simpático e mais atrativo
para as populações”, explicou.

O que pretendemos, de
facto, é criar condições para que o turismo se possa desenvolver” na zona do
rio abrangida pelo projeto, frisou, sublinhando que há “todos os condimentos
para que se possa desenvolver o turismo, mantendo com qualidade as atividades
que já existem, nomeadamente a pesca”,

Segundo a governante, nos
concelhos de Mértola e Alcoutim, há “condições fantásticas de desenvolvimento
de rotas turísticas”, nomeadamente “uma belíssima gastronomia, apontamentos
históricos e culturais de significativo valor, principalmente em Mértola, e
paisagens fantásticas”.

“Estamos a trazer o mar até
Mértola [no interior alentejano] e levar Mértola até ao mar com todas as
potencialidades que existem. Portanto, é, de facto, um projeto de inclusão, de
desenvolvimento do interior e fantástico para estas pessoas que aqui vivem e
para aqueles que a vão passar a conhecer”, rematou a ministra.

Por abrangerem troços
internacionais do rio, as empreitadas já concretizadas foram financiadas em 75%
por verbas do Programa de Cooperação Transfronteiriça (POCTEP) INTERREG
Espanha-Portugal 2007-2013 e a relativa ao contrato hoje assinado vai ser
financiada também em 75% pelo POCTEP INTERREG V-A Espanha-Portugal 2014-2020.

Lusa

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