Guerra contra o tabaco já tirou 300 pessoas do vício em Castro Marim

 

Iniciativa está a revelar-se um sucesso naquele concelho. O facto das consultas e dos medicamentos serem gratuitos. e de haver disponibilidade permanente, tem contribuído para que tantos fumadores recorram ao programa lançado pela câmara municipal e consigam abandonar o vício

DOMINGOS VIEGAS

Em Portugal morre uma pessoa a cada 50 minutos por doenças atribuíveis ao tabaco, ou seja, perto de 12 mil pessoas por ano, revela o relatório “Portugal – Prevenção e Controlo do Tabagismo 2017”, apresentado pela Direção-Geral da Saúde (DGS). De acordo com o mesmo relatório, o tabaco “foi responsável por cerca de uma em cada quatro mortes no grupo etário dos 50 aos 59 anos”.

Estes são alguns dos dados tornados públicos frequentemente pelas entidades de saúde, principalmente no âmbito do Dia do Não Fumador, que é assinalado anualmente a 17 de novembro, ou por altura do Dia Mundial Sem Tabaco (31 de maio).

Castro Marim começa a ser um caso especial, já que, naquele concelho, há cerca de 300 pessoas que têm o seu próprio dia do não fumador. É o dia em que deixaram de fumar, depois de muitos anos, ou mesmo décadas, agarradas ao vício do tabaco. E tudo graças ao programa de combate ao tabagismo lançado pela câmara municipal há pouco mais de três anos.

Durante este período, recorreram ao programa cerca de 350 pessoas e cerca de três centenas conseguiram deixar o vício (ver entrevista nas páginas seguintes), resultados bastante significativos para um município que tem uma população adulta de pouco mais de 5 mil pessoas.

Francisco Amaral, médico e presidente da Câmara Municipal de Castro Marim, já tinha lançado um programa semelhante quando era autarca em Alcoutim, mas sem tanto sucesso. No seu primeiro mandato à frente dos destinos da edilidade castro-marinense voltou a implementa-lo, mas corrigindo aquilo que considerou terem sido algumas falhas cometidas em Alcoutim.

Umas das diferenças é o facto do tratamento ser completamente gratuito (e não apenas as consultas), contar com o apoio de um psicólogo e de haver disponibilidade permanente. O esclarecimento, claro e cru, de tudo o que envolve o tabagismo, nomeadamente que se trata de uma toxicodependência, bem como de todas as consequências de fumar e dos benefícios de abandonar o vício, foram outras das alterações.

O número de fumadores “diários ou quase diários” diminuiu ligeiramente no nosso país, em relação à realidade registada há seis anos atrás (passou de 95,2% para 94%), mas os dados continuam a ser alarmantes. Atualmente, um em cada cinco portugueses com mais de 15 anos fuma.

Apesar de haver mais homens fumadores do que mulheres fumadoras, o consumo diário de tabaco tem vindo a diminuir no sexo masculino e a aumentar no sexo feminino. Entre os homens o consumo diário verifica-se “sobretudo nos grupos menos escolarizados” e entre as mulheres “nos grupos mais escolarizados”. Em ambos os sexos “verifica-se que os desempregados e os divorciados apresentam maior consumo diário”, revela um relatório sobre o consumo de tabaco em Portugal, este do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, que analisou registos desde 1987.

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